Centro: a previsão é de criação de 2,8 mil vagas formais no comércio e no setor de serviços da região após a conclusão do empreendimento (Casa Digital)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 3 de novembro de 2026 às 09h59.
O governo de São Paulo estima que a construção do Novo Centro Administrativo, na região dos Campos Elíseos, gere 38 mil empregos diretos e indiretos durante as obras. O projeto prevê investimentos de R$ 6 bilhões, a transferência de cerca de 22 mil servidores estaduais para o centro da capital e a criação de 2,8 mil vagas formais no comércio e nos serviços locais após a conclusão do complexo.
O governo de São Paulo estima que as obras do Novo Centro Administrativo, na região dos Campos Elíseos, no centro da capital paulista, gerem 38 mil empregos diretos e indiretos. Além das oportunidades de trabalho durante a construção, a previsão é de criação de 2,8 mil vagas formais no comércio e no setor de serviços da região após a conclusão do empreendimento.
O projeto, que prevê investimentos de aproximadamente R$ 6 bilhões, será executado por meio de uma parceria público-privada (PPP) com prazo de concessão de 30 anos. O plano inclui a construção de uma nova sede para o Executivo estadual, a recuperação de imóveis históricos e intervenções urbanas no entorno do Parque Princesa Isabel.
A proposta é transferir cerca de 22 mil servidores estaduais, atualmente distribuídos em mais de 40 endereços de São Paulo, para um único complexo. Segundo o governo, a concentração dos órgãos públicos busca reduzir despesas administrativas, melhorar a gestão dos serviços e ampliar a circulação de trabalhadores na região central.
O empreendimento será construído na região dos Campos Elíseos, nas proximidades do Parque Princesa Isabel e da Estação da Luz. O complexo terá sete edifícios distribuídos em dez torres, que vão abrigar o gabinete do governador, secretarias e outros órgãos estaduais.
A nova sede terá aproximadamente 420 mil metros quadrados de área construída, dos quais cerca de 290 mil metros quadrados correspondem à área computável prevista no projeto.Além dos espaços administrativos, o empreendimento contará com auditórios, salas multiuso e áreas destinadas a atividades culturais e comerciais.
O projeto prevê ainda:
Edifícios com certificação LEED Gold, selo internacional que reconhece padrões de sustentabilidade e eficiência energética.
A expectativa do governo é que a instalação dos órgãos estaduais aumente a circulação de pessoas e estimule a abertura de estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços no entorno.
A geração dos 2,8 mil empregos permanentes é uma projeção da administração estadual, e não representa vagas já abertas ou contratações confirmadas.
O projeto será executado pela Concessionária Novo Centro SP, ligada ao consórcio MEZ-RZK Novo Centro, que venceu o leilão realizado em 26 de fevereiro de 2026, na B3, a Bolsa de Valores de São Paulo.
O grupo, formado por Zetta Infraestrutura, M4 Investimentos, Engemat, RZK Empreendimentos Imobiliários e Iron Property, ofereceu desconto de 9,62% sobre a contraprestação pública mensal máxima de R$ 76,6 milhões.
A contraprestação é o pagamento previsto pelo governo à concessionária pelos serviços prestados durante o contrato.
O consórcio disputou a concessão com o Acciona-Construcap, que apresentou desconto de 5%.
Dos cerca de R$ 6 bilhões previstos para a implantação do complexo, R$ 3,4 bilhões serão aportados pelo governo estadual e R$ 2,7 bilhões pelo parceiro privado.
O contrato de concessão foi assinado em outubro de 2026. A empresa ficará responsável pela implantação, operação e manutenção das instalações durante os 30 anos da parceria, incluindo serviços de limpeza, segurança e conservação.
O projeto arquitetônico foi desenvolvido pelo escritório Ópera Quatro Arquitetura, selecionado em concurso que recebeu mais de 90 inscrições.
Além da transferência da estrutura administrativa estadual, o projeto prevê mudanças na mobilidade e na ocupação urbana dos Campos Elíseos.
Uma das intervenções será a substituição do atual Terminal Princesa Isabel por um novo terminal na região da Luz, próximo à Avenida Cásper Líbero.
Segundo o governo, a nova estrutura deverá ser entregue antes da desativação do terminal existente, para manter o atendimento aos passageiros durante a transição.
A construção do complexo também envolve desapropriações e reassentamento de moradores e comerciantes. A proposta enfrenta questionamentos de movimentos de moradia, que manifestaram preocupação com os impactos da intervenção sobre a população que vive e trabalha na região.
Durante o leilão, em fevereiro, movimentos sociais realizaram protestos contra as desapropriações previstas.
O governo afirma que haverá acompanhamento e assistência à população atingida pelas intervenções.
O cronograma da PPP prevê a implantação do empreendimento em etapas ao longo de cinco anos, com conclusão prevista até 2031.
No primeiro ano da concessão, estão previstos o desenvolvimento dos projetos, a obtenção de licenças e o início das intervenções para a construção do novo terminal de ônibus.
O segundo ano deverá concentrar a conclusão dos projetos executivos, a entrega do terminal e o encerramento das etapas de desapropriação e reassentamento.
As primeiras entregas de edifícios e intervenções urbanas estão previstas para o quarto ano. As demais estruturas deverão ser concluídas no quinto ano.
Os prazos dependem do cumprimento das etapas previstas no contrato, incluindo licenciamento, execução das obras e liberação das áreas necessárias.
Uma pesquisa do Datafolha, divulgada pelo governo estadual, indica que moradores e trabalhadores da região central esperam melhorias com a instalação do novo complexo administrativo.
Segundo o levantamento, 83% dos entrevistados que moram ou trabalham no centro acreditam que a região ficará mais segura após a implantação do projeto.
Entre os moradores e trabalhadores da área central, a pesquisa também identificou expectativas de melhorias em diferentes setores:
No conjunto da população da capital, 64% classificaram a mudança da sede administrativa como ótima ou boa, enquanto 77% disseram acreditar em uma melhora nas condições de segurança.
De acordo com as informações divulgadas pelo governo, o levantamento entrevistou 1.564 pessoas. O material consultado não detalha o período de coleta, a margem de erro e o método das entrevistas.
Os resultados representam percepções e expectativas dos entrevistados, e não uma avaliação de efeitos já produzidos pelo empreendimento.
A construção do Novo Centro Administrativo integra o Programa de Parcerias de Investimentos de São Paulo (PPI-SP), que reúne projetos de infraestrutura e serviços públicos desenvolvidos em parceria com a iniciativa privada.
A expectativa do governo é que a transferência dos servidores e a implantação de novos espaços comerciais contribuam para ampliar a atividade econômica dos Campos Elíseos. A efetiva geração dos empregos projetados dependerá do andamento das obras e da ocupação dos espaços previstos no complexo.