Repórter
Publicado em 30 de outubro de 2026 às 10h12.
Última atualização em 30 de outubro de 2026 às 11h32.
Uma nova proposta de emenda à Constituição (PEC) está sendo elaborada no Senado para criar exceções ao fim da escala 6x1, que foi recentemente promulgada. A ideia é deixar de fora categorias de trabalhadores que têm jornadas diferenciadas, como os embarcados em plataformas de petróleo e aeroviários, mantendo suas escalas atípicas.
Uma ala do Senado Federal prepara uma nova proposta de emenda à Constituição (PEC) para criar exceções às regras do fim da escala 6x1. A medida pode deixar de fora das novas exigências categorias que já trabalham em regimes diferenciados, como profissionais embarcados em plataformas de petróleo, aeroviários e caminhoneiros.
O texto ainda está em elaboração e deve ser apresentado na próxima semana. A proposta será apresentada pelo líder do MDB no Senado, Eduardo Braga (AM).
A iniciativa busca adaptar a nova jornada de trabalho a atividades que exigem períodos consecutivos de serviço, seguidos por vários dias de descanso.
A PEC que acabou com a escala 6x1 foi promulgada em 16 de outubro e entrará em vigor em 16 de dezembro. A mudança estabelece a jornada 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de descanso por semana.
Entre as categorias que podem receber tratamento diferenciado estão profissionais que trabalham em regime de revezamento, como:
Segundo técnicos do Senado ouvidos pelo O Globo, esses profissionais já cumprem jornadas organizadas em blocos de dias consecutivos de trabalho e folga.
A avaliação é que a exigência de dois dias de descanso por semana, mesmo considerada uma média, pode dificultar a manutenção desses regimes.
A emenda constitucional já promulgada permite que as folgas sejam reorganizadas por acordo coletivo, desde que a média corresponda a dois dias de descanso por semana e seja garantida uma folga a cada sete dias de trabalho.
Na avaliação dos técnicos, essa exigência pode inviabilizar determinadas escalas de trabalhadores embarcados.
A proposta em elaboração também pode criar exceções para trabalhadores que já cumprem jornadas inferiores a 40 horas semanais ou têm carga horária máxima de cinco horas diárias.
Nesses casos, a intenção é permitir a ampliação da jornada diária ou a manutenção das regras atuais mediante negociação com os sindicatos.
A emenda constitucional já promulgada determina que jornadas estabelecidas em até 40 horas semanais não sofrerão redução proporcional.
O novo texto busca ajustar a aplicação dessa regra a atividades que possuem condições específicas de contratação e organização do trabalho.
A mudança constitucional substitui a jornada 6x1, de seis dias de trabalho para um de descanso, pela escala 5x2, que prevê cinco dias de trabalho e dois dias de folga por semana.
A nova regra entra em vigor em 16 de dezembro de 2026.
A redução da jornada semanal ocorrerá em duas etapas:
A mudança será implementada sem redução salarial.
O texto também estabelece que um dos dois dias de descanso deve ocorrer preferencialmente aos domingos.
A expectativa é que a proposta esteja pronta na terça-feira, 3 de novembro, quando deve começar a coleta de assinaturas necessárias para sua apresentação.
O texto será apresentado por Eduardo Braga e, segundo técnicos ouvidos pelo jornal, conta com apoio da consultoria jurídica do Senado.
A iniciativa faria parte de um acordo com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, para permitir a aprovação da PEC principal sem alterações antes do segundo turno das eleições.
Além das exceções para categorias com jornadas diferenciadas, outras duas propostas já circulam no Senado.
Uma delas prevê a ampliação do prazo de transição para a nova jornada. A outra discute a incidência de verbas trabalhistas sobre apenas um dos dois dias de descanso semanal, em vez de ambos.
O objetivo dessa segunda proposta é evitar um aumento adicional dos custos para os empregadores.
Com a redução da jornada para 40 horas, o cálculo do valor da hora de trabalho também passaria a considerar 200 horas mensais, em vez das atuais 220 horas, conforme a avaliação apresentada por interlocutores do Senado.
O governo federal trabalha em medidas próprias para regulamentar a transição para a nova jornada de trabalho.
Entre as iniciativas estão um decreto sobre as regras de transição e um projeto de lei voltado às ocupações que possuem escalas específicas.
O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, deve se reunir com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na próxima semana para discutir o assunto.
O fim da escala 6x1 foi uma das bandeiras eleitorais de Lula na campanha presidencial de 2026. A proposta foi aprovada pela Câmara dos Deputados no fim de maio e avançou no Senado entre os dois turnos da eleição.
Glossário
O que significa fim da escala 6x1?
Refere-se ao término do regime de trabalho de seis dias seguidos e um de descanso, substituído pela jornada de cinco dias de trabalho e dois dias de folga por semana.
O que quer dizer promulgada?
Significa que uma lei ou emenda à Constituição foi oficialmente adotada e passou a ter efeito jurídico, após a assinatura de uma autoridade.