Mike Johnson, líder da Câmara dos EUA: proposta foi aprovada por margem apertada, por 217 votos a 214 (ROBERTO SCHMIDT / AFP/Getty Images)
Redação Exame
Publicado em 3 de fevereiro de 2026 às 16h38.
A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou nesta terça-feira, 3, um pacote de gastos para encerrar a paralisação parcial do governo federal e reabrir grande parte da máquina pública. O projeto agora segue para sanção do presidente Donald Trump, que deve assinar a medida ainda hoje.
A proposta foi aprovada por margem apertada, por 217 votos a 214, após intensa articulação da Casa Branca para conter uma rebelião interna entre republicanos. O Senado já havia aprovado o texto na semana passada.
O pacote garante US$ 1,2 trilhão em recursos, distribuídos em cinco projetos de lei, e financia a maior parte do governo até 30 de setembro, fim do ano fiscal. Entre os órgãos contemplados estão o Departamento de Defesa (Pentágono), Tesouro, Educação, Trabalho, Saúde e Relações Exteriores.
O acordo, no entanto, separa o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS), que será mantido apenas até 13 de fevereiro, nos níveis atuais. A exclusão abre um prazo de cerca de 10 dias para negociações entre republicanos, democratas e a Casa Branca sobre novas regras para a política de imigração.
Democratas exigem restrições à atuação de agentes migratórios, após a morte do cidadão americano Alex Pretti, baleado por agentes federais em Minneapolis no mês passado. O episódio levou ao colapso de um acordo bipartidário anterior e desencadeou a paralisação do governo no último sábado.
Entre as exigências dos democratas estão o uso obrigatório de câmeras corporais, identificação visível, proibição de agentes mascarados, exigência de mandados judiciais para prisões e buscas, fim de patrulhas migratórias itinerantes e aplicação das mesmas regras de uso da força válidas para outras polícias.
Apesar do apoio explícito de Trump, o presidente da Câmara, Mike Johnson, enfrentou resistência tanto da ala conservadora quanto de democratas. Com uma maioria de apenas 218 a 214, Johnson podia perder no máximo um voto republicano.
Ao final, 21 republicanos e 193 democratas votaram contra o projeto. A maioria dos democratas argumentou que o texto financia o DHS sem impor novas salvaguardas à atuação do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE).
Já parte dos conservadores criticou o acordo por não incluir mudanças nas leis eleitorais e por conter gastos que classificam como excessivos. Mesmo assim, Trump pressionou publicamente sua bancada a aprovar o texto “imediatamente” e “sem mudanças”.
Com a paralisação encerrada, o foco agora se volta para a negociação de um acordo mais amplo sobre imigração. Caso não haja consenso até meados de fevereiro, o financiamento do DHS expira, abrindo espaço para uma nova crise orçamentária.
Republicanos rejeitam, por enquanto, a exigência de mandados judiciais para ações migratórias e a proibição do uso de máscaras por agentes. Democratas já sinalizaram que não aceitarão uma nova prorrogação temporária sem mudanças concretas.
Enquanto isso, os efeitos da paralisação começaram a se acumular nos últimos dias, com suspensão de atividades em agências federais, adiamento de dados econômicos e licença forçada de servidores não essenciais — impactos que, segundo líderes do Congresso, pesaram na decisão de aprovar o acordo emergencial.