Especialistas prevêem "avalanche" institucional no mercado de criptoativos

Em debate promovido pelo Future of Money, especialistas falam sobre adoção institucional do mercado de criptoativos e mostram otimismo

Especialistas em criptoativos que participaram do debate "A ascenção das criptomoedas no mercado financeiro", parte da programação do Future of Money, evento online da EXAME para discutir o futuro do dinheiro, mostraram otimismo sobre os investimentos institucionais no mercado de criptoativos, prevendo uma "avalanche" de novas empresas entrando neste mercado.

A previsão é otimista porque os investidores institucionais, que desde meados de 2020 começaram a falar publicamente sobre aportes no mercado cripto, são apontados como principal razão para a alta do bitcoin e do mercado de criptoativos de forma geral que é vivenciada desde então.

"Com a maturidade do mercado, a expansão da tecnologia e o avanço da regulação, chegamos a 2021 com grandes players se posicionando e a maioria das empresas tem em seus conselhos a ideia de manter cripto em sua tesouraria. Acredito que a partir do meio do ano teremos uma entrada maciça desses players no mercado. Acho que estamos caminhando para o mainstream e, para mim, 2021 é o ano das criptomoedas", disse Eduardo Carvalho, CEO da Dynasty.

"Gosto de fazer uma analogia com o surgimento e adoção da internet. Demora um pouco para passar dos primeiros adotantes para o público mainstream. Mas se a tecnologia realmente atende a uma demanda e resolve algum problema de fato, ela persiste. Como a internet persistiu à bolha de 2000, as cripto persistiram à bolha de 2017/2018, e provavelmente vão persistir às próximas também, porque a tecnologia é boa. E a partir do momento que as instituições começam a perceber que podem usar essas novas tecnologias para seus negócios, chegamos nesse movimento que vemos atualmente. As instituições estão começando a perceber o poder dessa tecnologia", comentou o head de digital assets do BTG Pactual, André Portilho.

O colunista da EXAME e criador do Blockchain@UCLA Lab, da Universidade da Califórnia, Alex Nascimento, apontou um momento que, para ele, mudou o futuro do mercado de criptoativos: "Nossa tese como empresa, muito embasada na visão da Universidade, era de que ou isso seria regulamentado e teria forte adoção por instituições financeiras como bancos e até venture capitals, ou continuaria sendo uma brincadeira de nerd. Quando a SEC jogou o martelo na indústria em 2017, houve uma guinada da indústria e começou uma adoção muito boa por instituições como BTG Pactual, Morgan Stanley, até o Goldman Sachs hoje", disse, citando a notícia de que o banco de investimentos vai oferecer produtos com bitcoin ainda em 2021.

Para David Lawant, research da Bitwise Asset Management, o movimento institucional no mercado de criptoativos começou muito antes de 2020: "Muitas das instituições que agora estão no mercado, não começaram a olhar para cripto no ano passado, mas há muito mais tempo. Gestoras como a Fidelity estão envolvidas com criptoativos desde 2013. Fundos de tecnologia e grandes investidores deste setor falam disso há muitos anos. É um processo que vem de muito tempo".

Ele também acredita que o movimento deve se intensificar no futuro: "De um ano para cá, mudou muita coisa. Um ambiente regulatório melhor, grandes empresas anunciando interesse, a entrada do PayPal que vejo como um divisor de águas... E aí a pergunta muda. Não é mais 'por que você está nisso?' Agora é 'por que você não está nisso?' O PayPal é uma empresa de meio trilhão de dólares, depois veio a Visa, causa um efeito de bola de neve e vamos ver cada vez mais, é uma tendência", disse Lawant.

Para André Portilho, entretanto, a adoção institucional poderia ser freada, no curto prazo, com a queda nos preços dos ativos digitais: "O bitcoin está no caminho de se tornar uma reserva de valor, mas ainda não é, ainda tem bastante volatilidade. Por isso, acho que o movimento de adoção institucional ainda depende muito do comportamento do mercado. Se continuar esse mercado pujante e forte, continuaremos vendo gente entrando, inclusive gente de fora desse grupo de empresas mais visionárias", afirmou.

Em 2021, a entrada de investidores institucionais levou o mercado de criptoativos a diversos recordes. Somadas todas as criptomoedas do mundo, o valor de mercado total superou os 2 trilhões de dólares pela primeira vez. Já o bitcoin registrou o preço mais alto de sua história e passou de 1 trilhão de dólares de capitalização de mercado.

As discussões sobre o futuro do dinheiro, promovidas pela EXAME nesta segunda edição do Future of Money, podem ser vistas no canal da EXAME Invest no YouTube, mas você também pode assistir à íntegra do debate sobre criptoativos no player abaixo:

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