(B3/Divulgação/Divulgação)
Editor do Future of Money
Publicado em 12 de agosto de 2026 às 16h00.
Última atualização em 12 de agosto de 2026 às 17h36.
Com ações negociadas na B3, a OranjeBTC prepara seu primeiro produto financeiro para além do negócio de compras de bitcoin. A empresa lançará em setembro o fundo negociado em bolsa (ETF, na sigla em inglês) DIGY11, que acompanha as ações preferenciais da Strategy e da Strive.
A Strategy é a maior empresa de capital aberto compradora de bitcoins do mundo e foi responsável por popularizar o fenômeno das tesourarias de ativos digitais: companhias com papéis negociados na bolsa que adquirem criptomoedas para se tornar um veículo de exposição indireta a esse tipo de ativo no mercado acionário. A OranjeBTC é justamente uma das duas empresas do Brasil que operam nesse modelo, junto com o Méliuz.
A OranjeBTC diz que o fundo foi estruturado para realizar distribuições mensais de dividendos todo dia 11. Afinal, as ações preferenciais STRC, da Strategy, que responderão por 95% da carteira do novo ETF, são famosas nos Estados Unidos por pagar um rendimento de 12% ao ano em dividendos, uma rentabilidade bem acima da média do país, onde os títulos públicos rendem pouco mais de 4%.
Em entrevista à EXAME, Guilherme Gomes, CEO da OranjeBTC, afirma que a companhia sempre teve como plano se tornar uma instituição financeira ligada a cripto, e o lançamento do ETF é o primeiro passo nessa direção. Porém, ele nega que haja alguma sinalização de abandono da estratégia de valor por meio da compra de bitcoins.
“A estratégia principal continua intacta. O bitcoin passa por uma correção importante, mas nossa visão é de muito longo prazo. Não pensamos em um trimestre ou um ano”, declara.
Desde que abriu capital via Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) reversa em outubro do ano passado, as ações da OranjeBTC despencaram 67%. Hoje, os papéis OBTC3, que estrearam a R$ 18,85, são negociados a pouco mais de R$ 6,00, refletindo um cenário negativo para as tesourarias de ativos digitais no mundo todo.
A própria Strategy acumula uma desvalorização de 36% em 2026, conforme o bitcoin cai 27% no mesmo período. Lá fora, os investidores temem que o modelo de negócios da empresa, baseado na emissão de dívida e venda de ações para comprar mais bitcoins, não se sustente em momentos de queda para a maior das criptomoedas.
Mesmo assim, Gomes reitera que não tem qualquer interesse em abandonar o modelo que angariou atenção ao IPO que fez no ano passado. “Não é uma mudança de estratégia, é a primeira entrega do que já vínhamos desenhando desde o início. O brasileiro gosta de ser rentista, então o ETF entrega o dividendo da era digital”, reforça Gomes.
O fundo estima que distribuirá dividendos aos brasileiros em uma rentabilidade equivalente ao CDI acrescido de 3% a 5%. Considerando que a taxa básica de juros, Selic, está hoje em 14% ao ano, isso significa que o DIGY11 promete entregar de 17% a 19% de retorno em dividendos sobre o preço das cotas.
Esse rendimento adicional além dos 12% que a STRC paga nos EUA se deve a instrumentos de proteção cambial, como a venda de contratos futuros de dólar.
“Já existem no Brasil boas opções de ETFs de criptoativos. Então, o que ouvimos muito de investidores foi a demanda por exposição em busca de dividendos”, aponta o CEO da OranjeBTC. Para ele, o brasileiro gosta de investir para ser rentista, e dar acesso ações internacionais que pagam dividendos atrelados a grandes reservas de bitcoin fazia mais sentido do que entregar rendimento via algum produto criptonativo, como o chamado staking.
“As empresas por trás dessas ações possuem cobertura de proventos em torno de 4 vezes e sem risco-Brasil ou risco de token ou protocolo de DeFi [finanças descentralizadas].”
O índice de referência do ETF DIGY11 é o MarketVector Bitcoin Treasury Preferred Equity BRL Hedged Index. A cota, de acordo com Gomes, será parecida com uma fração do preço da STRC nos EUA, subindo ou caindo conforme o desempenho dos papéis da Strategy.
A OranjeBTC diz que o DIGY11 terá gestão da 3R Investimentos, índice de referência fornecido pela MarketVector e administração fiduciária do Banco Daycoval. A taxa de gestão será de 0,9% ao ano e o custo total estimado de 1,3% ao ano. A alíquota de imposto prevista para as distribuições de dividendos é de 15%.
O anúncio do DIGY11 foi feito durante o Blockchain.RIO 2026.
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