Investimentos sobem 62% e Brasil soma 181 startups de cripto e blockchain

Estudo do Distrito, com apoio da KPMG, R3, Redpoint Eventures e Mercado Bitcoin, traça panorama sobre o setor de criptoativos e blockchain no Brasil

A tecnologia blockchain é o principal foco de atuação de 181 startups brasileiras, aponta o estudo "Distrito Blockchain e Criptomoedas Report", realizado pelo Distrito Dataminer, braço de inteligência de mercado da empresa de inovação aberta Distrito, com apoio da KPMG, R3, Redpoint Eventures e Mercado Bitcoin.

“O blockchain está amadurecendo rapidamente e hoje figura como uma solução viável para resolver diversas classes de problemas de negócios. Depois da fase de debates sobre o desenvolvimento da tecnologia e a comprovação de sua eficácia técnica, apesar de sua complexidade e escassez de profissionais no mercado, atualmente já pode ser implementada em vários setores com destaque para o financeiro e o de logística e rastreabilidade, por exemplo. O estudo mostrou ainda que trata-se de um momento de rápido avanço do blockchain com a disponibilização de infraestrutura de serviços pré-definidos para novos modelos de negócios”, analisou o sócio líder de tecnologia, inovação e transformação digital da KPMG, Frank Meylan.

O levantamento dividiu as empresas do setor em cinco áreas de atuação: Serviços Financeiros (49,7% do total), que apresentam soluções como pagamento, transferências, câmbio, negociação de ativos digitais e oferta de crédito; blockchain-as-a-service (23,2%), que oferecem como produto a criação de plataformas para terceiros; Segurança Digital (12,7%), com recursos para o aprimoramento dos processos regulatórios, viabilização e segurança de contratos e outros documentos digitais; Gestão e Rastreio de Ativos (9,9%), com a tecnologia aplicada a localização de ativos físicos, frotas, cadeias produtivas e estoque, estabelecendo registros invioláveis e comunicação segura; e Marketing e Mídias Digitais (4,4%), que traz soluções para prestação de serviços em marketing e no varejo, com foco na experiência do usuário.

Segundo o estudo, 80% das startups que fazem uso da tecnologia blockchain surgiram nos últimos cinco anos. Elas também estão concentradas majoritariamente na Região Sudeste, que abriga 67,4% das empresas do setor, sendo 46,4% em São Paulo. Desde 2015, o setor recebeu investimentos que totalizam 8,9 bilhões de dólares em todo o mundo. No Brasil, os aportes foram consideravelmente menores, e as startups brasileiras que atuam com blockchain atraíram um total de 5,8 milhões, em um total de 31 investimentos.

Por outro lado, somente nos dez primeiros meses de 2020, o montante investido no setor foi de 1,6 milhão de dólares, volume 62% maior do que o registrado em 2019, que somou 639.000 dólares no mesmo período.

A rodada de estágio pré-seed da Gávea Marketplace, startup que funciona como uma bolsa digital de commodities, totalmente desenvolvida em blockchain, foi a que recebeu o maior valor — 413.000 dólares. O recorde do setor no país é de 2016, quando a Intelipost, empresa de tecnologia e soluções em logística, recebeu 1,94 milhão da Performa em uma rodada Series A.

"De maneira geral, os investimentos nas startups de blockchain estão concentrados em rodadas entre investimentos-anjo e Series A, o que mostra um potencial gigantesco de crescimento desta tecnologia aqui no Brasil", afirmou Tiago Ávila, líder do Distrito Dataminer. "Neste contexto, não podemos esquecer também que muitas destas startups emitem sua própria criptomoeda para levantar capital. Trata-se de um recurso possível para este segmento e talvez tenhamos aqui uma explicação para o baixo volume de investimentos em venture capital", concluiu.

O "Distrito Blockchain e Criptomoedas Report" apontou, ainda, as dez maiores startups do setor, considerando critérios como número de funcionários, visibilidade, investimento captado e faturamento: NovaDax, Facilita Pay, Bit Capital, Intelipost, Mercado Bitcoin, FoxBit, Plataforma Verde, OriginalMy, Remessa Online e Rhizom. O estudo também destaca as startups com ritmo de crescimento acelerado, a partir da combinação dos aportes recebidos e de sua visibilidade nas redes sociais: Contraktor, Uzzo Pay, Monnos, Maré, Ribbon, 88i, Fohat, Bitfy, Moss e Pitaia Bank.

Além disso, mostra que as startups que fazem uso da tecnologia blockchain apresentam uma das maiores desigualdades de gênero no quadro societário, tipicamente liderado por homens, com média de 38 anos de idade e, em sua maioria, nascidos no estado de São Paulo. Apenas 12,2% dos sócios destas empresas são mulheres, com incidência proporcionalmente maior na categoria Segurança Digital.

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