O “futuro no presente”: Como o etanol é aliado da descarbonização, segundo VP da Raízen

Na COP, Paula Kovarsky, vice-presidente de estratégia e sustentabilidade da Raízen, se posiciona sobre o papel das alternativas para a redução de emissões de carbono no setor energético
Paula Kovarsky , Vice-Presidente de Estratégia e Sustentabilidade na Raízen em evento do Pacto Global na COP27 (Leandro Fonseca/Exame)
Paula Kovarsky , Vice-Presidente de Estratégia e Sustentabilidade na Raízen em evento do Pacto Global na COP27 (Leandro Fonseca/Exame)
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Fernanda BastosPublicado em 18/11/2022 às 12:01.

A empresa de energia Raízen, que está desenvolvendo o etanol de segunda geração há 10 anos, está participando da 27ª edição da Conferência das Partes (COP27) em Sharm El Sheikh, no Egito. Em entrevista para a equipe de ESG da EXAME, Paula Kovarsky, vice-presidente de estratégia e sustentabilidade da Raízen discorreu sobre a agenda do etanol, expectativas e soluções para o mercado. 

Segundo Kovarsky, a questão da descarbonização, ou seja, da redução de emissões de CO2 pela utilização de fontes renováveis, precisa ser mais valorizada, apesar de ser um dos temas centrais da COP27.

Para ela, existe a necessidade de urgência. "Qual é a solução do presente? É o etanol, no caso do Brasil. Em outros países, pode ser o desenvolvimento do etanol na Índia, como a gente está vendo. Mas como isso avança no tempo? Pensando na nossa jornada, estamos ampliando cada vez a oferta de produtos renováveis dessa mesma cana, desse mesmo hectare", afirma.

De acordo com a executiva, a Raízen irá produzir etanol de segunda geração, o biogás e o biometano. "E, eventualmente, vamos usar o etanol como fonte de hidrogênio para uma célula de combustível, usando o carbono da cana para fazer a proteína. Assim, temos uma jornada de evolução".

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Kovarsky descreve o etanol como o “futuro no presente” pois é possível usar o combustível para promover a descarbonização, pensando nele como uma "fonte de carbono renovável no futuro". Um exemplo disso seria o uso de carros híbridos, a eletrificação no Brasil pode acontecer de uma outra forma.

“Se eu pegar o carro híbrido que aumenta a eficiência do motor em 30-40%. Eu estou, de novo, pegando o mesmo etanol e multiplicando por 30%, aumentando em 30% o potencial de descarbonização dele porque eu estou usando um carro que é mais eficiente. Será que a jornada de eletrificação no Brasil não vai passar, por exemplo, por célula de combustível no futuro, que vai usar justamente o hidrogênio do etanol ou o hidrogênio que a gente produz através da energia renovável que a gente tem?”, diz Kovarsky. 

Mas, a descarbonização é algo complexo, pois une o mercado de carbono, envolve adaptação, mitigação e processos de perdas e danos. Para a vice-presidente, é necessário usar tudo que está disponível para a resolução da questão pois se trata de um problema com complexidade “de uma dimensão geográfica e socioeconômica infinita”. 

“Quando falamos de cana, na verdade, eu estou falando de um potencial de combinação de garantia energética e garantia de alimento que é muito única. A gente usa 1% do território brasileiro para para plantar cana e a gente responde por 19% da matriz energética".

Para a executiva, esse movimento global é um reconhecimento e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade, mas com muitos desafios. Segundo ela, é preciso ser capaz de monetizar o atributo renovável de maneira correta, de maneira justa, para criar um círculo virtuoso de investimento. Há um equilíbrio que precisa ser atingido, precisa ser encontrado, mas, de acordo com Kovarsky, “a Raízen encara isso como uma grande oportunidade”. 

Veja a entrevista completa.

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