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COP30 colocou a Amazônia no holofote mundial e atrai projetos em bioeconomia (Andre Pinto/Getty Images)
Repórter de ESG
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 18h00.
Última atualização em 23 de janeiro de 2026 às 18h07.
Por mais de oito décadas, o Banco da Amazônia tem sido o principal agente financeiro de desenvolvimento da maior floresta tropical do mundo.
Agora, após um processo de modernização iniciado há dois anos, a instituição mira um novo objetivo: atrair milhões em investimento internacional para ampliar seu impacto na região amazônica, equilibrando crescimento econômico e preservação ambiental.
"Não há sustentabilidade ambiental sem a parte social e econômica", afirmou Fábio Maeda, diretor de Relações com Investidores do Banco da Amazônia, em entrevista ao videocast Negócios Sustentáveis da EXAME.
Para o diretor, a proteção depende diretamente da qualidade de vida dos 30 milhões de habitantes da região. "Quem está vivendo bem vai proteger a floresta e fazer um projeto de manejo mais sustentável", destacou.
A tese do banco que sem desenvolvimento socioeconômico, não é possível engajar a população local. E os números parecem comprovar a estratégia: a região Norte tem apresentado um PIB acima da média nacional nos últimos anos.
O grande gargalo atual é que o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO), principal produto do banco, já não é mais suficiente para atender toda a demanda regional.
Por isso, 2026 terá como foco um programa de transformação para modernizar governança, processos e tecnologia, adequando-se aos padrões internacionais de investimento sustentável.
Os primeiros resultados já aparecem: o banco captou 80 milhões de euros da Agência Francesa de Desenvolvimento (AFD) para projetos de bioeconomia e está fechando um acordo de 100 milhões de dólares com o Banco Mundial para iniciativas de transição energética.
Além disso, estão em andamento propostas com o BID, Jaika (Japão), bancos da Coreia e dos Emirados Árabes. A estratégia é se posicionar como operador qualificado de recursos externos, combinando capital internacional com expertise local.
Confira o videocast completo no Youtube:Com 124 agências espalhadas pelos sete estados da região Norte, mais Mato Grosso e Maranhão, o Banco da Amazônia detém 60% do crédito de fomento da área.
Sua atuação vai do microcrédito com o maior programa da região Norte e crescimento superior a 100% nos últimos anos, até grandes projetos de infraestrutura em logística, aeroportos e saneamento.
"Atuamos em todo ecossistema de desenvolvimento, em qualquer setor ou empresa", explica Maeda.
Essa capilaridade é justamente o que atrai o interesse de investidores internacionais: a companhia conhece profundamente a realidade local e tem estrutura para aplicar recursos de forma eficiente.
Um exemplo prático é a trajetória de empreendedores que começam no microcrédito e evoluem para exportadores. Há casos como o de produtores de açaí que iniciaram como coletores, passaram a contratar ajudantes, depois começaram a beneficiar o produto e hoje exportam "açaí liofilizado".
Além do crédito, o banco investe em assistência técnica para garantir que os recursos sejam bem aplicados. Pensando nisso, oferece a orientação em gestão empresarial e econômica, criando um ecossistema mais sustentável.
O impacto é medido anualmente por meio de estudos que avaliam como os financiamentos afetam indicadores como IDH, empregabilidade e produtividade nas regiões atendidas.
Iniciativas específicas, como a linha Pecuária Verde, incentivam práticas mais sustentáveis com integração lavoura-pecuária, permitindo maior produtividade em menos área e ajudando a combater o desmatamento.