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Megatempestade histórica nos EUA ameaça 200 milhões de pessoas e revela novo padrão climático

Considerada a mais severa em 40 anos, a onda de frio extremo leva a temperaturas próximas de –50 graus celsius e 16 estados declararam estado de emergência neste fim de semana

Tempestade de inverno avança pelo território americano, com acúmulo de neve e gelo, queda de energia e temperaturas extremas em dezenas de estados (AFP)

Tempestade de inverno avança pelo território americano, com acúmulo de neve e gelo, queda de energia e temperaturas extremas em dezenas de estados (AFP)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 14h15.

Última atualização em 24 de janeiro de 2026 às 17h04.

Uma das mais severas tempestades de inverno das últimas quatro décadas atinge os Estados Unidos, ameaçando cerca de 200 milhões de pessoas neste fim de semana.

Os meteorologistas alertam que os próximos 10 dias serão "os piores em 40 anos no país" e a temperatura pode chegar a -50ºC, levando pelo menos 16 estados a decretarem estado de emergência pela projeção de condições potencialmente catastróficas.

A megatempestade deve se estender do Novo México à Nova Inglaterra, passando por todo o sul dos EUA. A trajetória do fenômeno levará quatro dias: começou sobre as Montanhas Rochosas e as Planícies na sexta-feira, 23, e deve deixar o Nordeste na noite de segunda-feira, 26.

Nesse período, uma faixa destrutiva de gelo atingirá dezenas de cidades desde o norte do Texas até o sul da Virgínia, incluindo Dallas, Little Rock, Nashville, Oklahoma City, Tupelo, Richmond e Charlotte, com alta probabilidade de danos a árvores e apagões prolongados.

Ao norte dessa região, um corredor de neve em pó acumulará entre 25 e 50 centímetros de Oklahoma ao Maine, passando por Cincinnati, Pittsburgh, Boston e Nova York, tornando estradas intransitáveis e causando interrupções significativas na rotina dos americanos.

Cerca de 230 milhões de pessoas devem enfrentar temperaturas de -7°C, com previsões de acúmulo massivo de gelo, neve intensa e interrupções prolongadas no fornecimento de energia elétrica, segundo informações do EuroNews.

Em meio ao evento climático extremo, o presidente Donald Trump voltou a questionar a existência da crise climática em suas redes sociais e argumentou que "o frio extremo contradiz a teoria das mudanças climáticas".

"Uma onda de frio recorde deve atingir 40 estados. Raramente vimos algo assim antes. Será que os ambientalistas radicais poderiam explicar —O que aconteceu com o aquecimento global???", escreveu na Truth Social.

Mas a ciência já comprova que a realidade é justamente o oposto. A origem deste evento climático extremo está no deslocamento do vórtice polar, uma massa de ar extremamente fria normalmente confinada ao norte do Canadá e ao Alasca.

Com a alta nas temperaturas no Ártico, a energia adicional ao vórtice polar ajudam a empurrar o ar frio para o sul e atingir o território americano.

A ciência por trás do evento climático

Alguns fatores-chave resumem a relação do fenômeno com as mudanças climáticas em curso.

O Ártico está aquecendo em ritmo superior à média global — um fenômeno conhecido como "amplificação ártica". Esse aquecimento desigual enfraquece a corrente de jato que normalmente mantém o ar frio confinado nas regiões polares.

O observatório climático da União Europeia, o Copernicus Climate Change Service, confirmou que 2025 foi o terceiro ano mais quente já registrado, com temperatura média global 1,47°C acima do nível pré-industrial.

O derretimento acelerado do gelo marinho ártico é outro fator crítico. De acordo com o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo (NSIDC), o gelo marinho do Ártico encontra-se em níveis historicamente baixos para esta época do ano, reflexo direto do aquecimento global. 

Ryan Maue, ex-cientista-chefe da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), observou no Euronews que a atmosfera está em um alinhamento. "Não é apenas na América do Norte: da Europa de Leste à Sibéria, a massa terrestre também está excecionalmente fria. Todo o hemisfério entrou numa fase de frio extremo", destacou.

Os pesquisadores alertam para um padrão preocupante: esse tipo de tempestade se tornou mais frequente nas últimas duas décadas.

A forte queda de neve na Sibéria, registrada em níveis 15% acima da norma no outono de 2025, também contribui para distorcer o padrão atmosférico normalmente circular, favorecendo o deslocamento do vórtice polar.

A previsão é que o frio extremo se prolongue pelo resto de janeiro e início de fevereiro, o que significa que a neve e o gelo acumulados demorarão a derreter.

As temperaturas no Norte e no Centro-Oeste dos EUA devem atingir entre -32°C e -34°C, com a temperatura mínima média nos 48 estados contíguos ficando em torno de -12°C.

Impactos severos em cascata 

As autoridades projetam consequências severas para os próximos dias. Até então, mais de 9 mil voos já foram cancelados, a maioria no Texas. O estado ainda carrega as marcas de uma tempestade de fevereiro de 2021, que causou mais de 200 mortes relacionadas a hipotermia, intoxicação por monóxido de carbono e acidentes.

Em Houston, a cidade mais populosa do Texas, 12 abrigos de emergência foram abertos. O coordenador do Escritório de Gestão de Emergências, Brian Mason, não hesitou: "Devemos nos preparar como se fosse 2021".

Além disso, metade da população americana está sem fornecimento de energia devido aos apagões generalizados e instabilidade da rede elétrica. 

No estado de Nova York, a governadora Kathy Hochul alertou que poucos minutos ao ar livre podem representar risco de hipotermia e congelamento. Equipes de emergência, máquinas de remoção de neve e trabalhadores de serviços públicos foram mobilizados.

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