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Marca paulistana testa passaporte digital da moda para se adaptar às novas regras da UE

Projeto lançado na SP Climate Week é liderado pela Ar Something e busca virar modelo de rastreabilidade para empresas brasileiras do setor

Rastrear a origem e o fim de vida de cada peça é a aposta do 'Segue o Fio' para tornar a moda mais circular (Divulgação)

Rastrear a origem e o fim de vida de cada peça é a aposta do 'Segue o Fio' para tornar a moda mais circular (Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 7 de agosto de 2026 às 18h00.

Última atualização em 7 de agosto de 2026 às 18h31.

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São Paulo vai testar um passaporte digital para roupas, um registro que reúne a origem das matérias-primas, os processos de fabricação e as orientações de reparo e descarte de cada peça.

O piloto, batizado de "Segue o fio", foi lançado durante a SP Climate Week, programação que reuniu empresas e autoridades em uma série de eventos pela capital paulista para discutir soluções concretas rumo à COP31 na Turquia.

A primeira marca a testar a ferramenta é a paulistana Ar Something, mas o projeto nasce para servir de modelo para empresas brasileiras do setor que é o quinto mais poluente do mundo e representa de 2% a 8% das emissões globais.

A ideia surgiu de uma pressão concreta do mercado externo. A União Europeia aprovou em 2024 o Regulamento de Ecodesign para Produtos Sustentáveis (ESPR), que cria a base legal para o Passaporte Digital de Produto (Digital Product Passport, ou DPP).

Para a indústria têxtil, a Comissão Europeia prevê adotar o ato delegado que vai detalhar as regras em 2027 e que na prática deve levar a exigência a valer para roupas vendidas no bloco só a partir de 2028, após um período de transição.

Um piloto que quer inspirar outras marcas

O "Segue o Fio" foi desenvolvido dentro do Grupo de Trabalho de Economia Circular do SP+B, articulação entre organizações do ecossistema paulista de moda, inovação e economia circular.

"Partimos da premissa de que a transição para cadeias produtivas mais transparentes e circulares depende da qualidade das informações que somos capazes de produzir e compartilhar", diz Eloisa Artuso, coordenadora do projeto.

Segundo ela, o objetivo não é apenas implementar uma ferramenta, mas gerar conhecimento aplicado que possa apoiar outras empresas a adotarem soluções semelhantes e alimentar o debate sobre regulação no Brasil, que ainda não tem uma política equivalente ao bloco europeu.

Na Ar Something, a plataforma organizou informações que, segundo o fundador Antônio Gomes, já existiam de forma dispersa dentro da empresa. "Para pequenas marcas, iniciativas como essa ajudam a transformar práticas que muitas vezes já fazem parte da rotina em informações organizadas e verificáveis", afirma.

O próximo passo é passar de 12 modelos de uma marca paulistana para um padrão que sirva à indústria brasileira de moda é o salto que o projeto ainda precisa dar.

Rennê Nunes, coordenador do GT de Economia Circular do SP+B, defende que soluções testadas localmente podem virar referência nacional.

"Ao testar rastreabilidade em ambiente real, criamos referências práticas para que empresas avancem nessa agenda e acompanhem as transformações do mercado internacional", destaca o executivo.

Parte da dificuldade é estrutural. A cadeia da moda costuma passar por vários elos: fiação, tecelagem, confecção, beneficiamento e rastrear todos os fornecedores é um dos grandes desafios.   É É essa lacuna, mais do que a tecnologia do passaporte em si, que projetos como o "Segue o Fio" tentam mapear antes de a exigência europeia bater à porta.

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