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Jeane Tsutsui, CEO do Fleury: “É preciso constância, disposição e conscientização. Não existem fórmulas milagrosas.” (Eduardo Frazão)
Jornalista especializada em carreira, RH e negócios
Publicado em 28 de outubro de 2026 às 18h00.
Última atualização em 28 de outubro de 2026 às 18h34.
Prevenção, gestão do cuidado e sustentabilidade. O avanço da longevidade exige que o sistema de saúde dê mais atenção a essas três frentes para atender a uma população que vive mais, mas precisa de condições melhores para envelhecer bem.
Esse desafio orienta a estratégia do Grupo Fleury, que completa 100 anos em 2026. Ao longo dessa trajetória, a companhia acompanhou transformações na medicina que ajudaram a prolongar a expectativa de vida dos brasileiros que, em 1926, era de 35 anos e, atualmente, é de 76,6, segundo o IBGE.
Se, no início dessa história, as doenças infecciosas concentravam as atenções, hoje a prevenção e o cuidado ao longo do tempo ocupam um espaço central na estratégia da empresa.
Durante o evento Longevidade & Wellness, promovido pela EXAME e realizado na última terça-feira, 27 de outubro, em São Paulo, Jeane Tsutsui, CEO do Fleury, explicou como essa mudança tem transformado os negócios, com a ampliação dos serviços.
O movimento inclui vacinação, atendimento domiciliar e acompanhamento ambulatorial. “Há muito tempo deixamos de ser só uma instituição que faz exames para ter um impacto maior na qualidade de vida das pessoas”, disse.
Segundo ela, a ideia é olhar a longevidade como um processo contínuo, valorizando os aprendizados, mas olhamos para o futuro.
Uma das iniciativas é o Centro de Longevidade Saudável, inaugurado em maio deste ano. Voltado a indivíduos acima dos 35 anos, busca preservar autonomia, vitalidade e capacidade cognitiva por meio de consultas, avaliação integrada e monitoramento.
Embora incorpore novidades, como testes de idade biológica e marcadores específicos, a abordagem tem como base práticas conhecidas respaldadas pela ciência: exercício físico, alimentação saudável, sono adequado, manejo do estresse e relações sociais de qualidade.
O cuidado também considera a saúde sexual e as mudanças hormonais, especialmente na menopausa. Mas incorporar essas recomendações ao dia a dia e mantê-las ao longo do tempo exige esforço.
“É preciso constância, disposição e conscientização. Não existem fórmulas milagrosas.”
A prevenção também tem implicações para a sustentabilidade do sistema. O aumento da expectativa de vida e das doenças crônicas ampliam a demanda por atendimento, enquanto o país ainda precisa levar serviços a todas as regiões.
Para Jeane, isso exige mais integração entre o SUS e a saúde suplementar, que atende apenas 25% da população.
Uma das oportunidades está no compartilhamento de informações para identificar riscos e agir antes que a doença se instale ou se agrave, com diagnóstico precoce, cuidado ambulatorial e conscientização.
Na ampliação do acesso, um exemplo é a operação de apoio laboratorial do Fleury que chega a mais de 2.200 municípios.
O modelo permite transportar amostras para processamento e disponibilizar os resultados pela internet. Assim, exames básicos, como o TSH, podem chegar a populações que antes precisavam se deslocar para realizá-los.
A longevidade se constrói também por meio de relacionamentos profundos e de atividades que dão sentido à vida, como trabalho, voluntariado, hobbies e espiritualidade.
No ambiente corporativo, essa equação ganha força quando alinhada ao propósito e à cultura da empresa. Outro ponto é estimular o pensamento crítico diante da evolução da inteligência artificial.
“Preparar a mente e a vida social para os anos que virão é fundamental”, afirmou. Jeane ressaltou que envelhecer com saúde envolve “investir na musculatura da alma” — garantindo condições contínuas para aprender, escolher e cultivar laços genuínos ao longo do tempo.