ESG

Carros elétricos: preços e falta de infraestrutura podem ameaçar indústria?

Até mesmo a Tesla, líder do setor nos EUA, disse que espera um crescimento "notavelmente menor"

Apesar do pessimismo, as vendas de VEs devem aumentar nos próximos anos (seksan Mongkhonkhamsao/Getty Images)

Apesar do pessimismo, as vendas de VEs devem aumentar nos próximos anos (seksan Mongkhonkhamsao/Getty Images)

Publicado em 16 de março de 2024 às 08h02.

Podemos dizer que o carro elétrico é a grande novidade do setor automobilístico dos últimos anos. Montadoras divulgaram previsões otimistas de vendas de modelos elétricos e anunciaram metas ambiciosas de crescimento dos veículos elétricos (VEs).

Segundo informações da CNBC, o entusiasmo, agora, parece estar diminuindo. Até mesmo a Tesla, líder em carros elétricos nos EUA e que segundo estimativas será responsável por 55% das vendas do setor no país, está se preparando para uma taxa de crescimento "notavelmente menor", como disse o CEO Elon Musk no final de janeiro.

O retorno a uma oferta mais mista de veículos - carros a gasolina ao lado de híbridos e opções totalmente elétricas - ainda pressupõe um futuro totalmente elétrico, mas em um ritmo muito mais lento do que o esperado.

Embora a demanda dos consumidores por veículos elétricos não tenha se manifestado da maneira que os executivos esperavam, as vendas ainda devem aumentar nos próximos anos.

No ano passado, nos EUA, foram vendidos um recorde de 1,2 milhão de carros elétricos, representando 7,6% do mercado nacional geral, segundo estimativas da Cox Automotive. Espera-se que essa participação aumente para 30% a 39% até o final da década, de acordo com as previsões dos analistas.

Para se ter uma ideia, a Alfa Romeo, de propriedade da Stellantis, disse que sua linha de veículos seria totalmente elétrica até 2027. A Jaguar Land Rover e a Volvo disseram o mesmo, mas para 2030. A GM anunciou que tinha como meta, até 2035, oferecer somente carros elétricos. Já a Honda estabeleceu sua meta de vender exclusivamente VEs na América do Norte até 2040.

Mas então por que o desânimo com os veículos elétricos?

Pelo menos nos EUA, depois de um interesse significativo dos primeiros usuários dos carros elétricos - impulsionado pelas baixas taxas de juros e pela ascensão da Tesla - as taxas de juros dispararam, os custos das matérias-primas aumentaram e os veículos se tornaram muito mais caros em comparação com seus equivalentes tradicionais.

Também ficou claro que o setor automotivo e o governo Biden, que estabeleceu sua própria meta de que metade das vendas de veículos novos nos EUA seja elétrica até 2030, superestimaram a disposição dos consumidores de adotar uma nova tecnologia sem uma infraestrutura de recarga confiável.

O estoque disponível de VEs nos EUA, medido em dias de fornecimento, aumentou para 136 dias, de acordo com a Cox. Já o setor de carros tradicionais está com um estoque de 78 dias, segundo a Cox Automotive. Os dados excluem a Tesla, Rivian e outras montadoras que vendem diretamente aos consumidores.

Futuro da indústria passa pela política

A estratégia do setor com relação aos VEs pode mudar ainda mais drasticamente nos próximos meses, dependendo das pressões políticas, incluindo a finalização dos padrões de combustível verde e emissões da Agência de Proteção Ambiental dos EUA.

As propostas em análise pelo governo Biden para aumentar os padrões de economia de combustível até 2032 poderiam custar às montadoras mais de US$ 14 bilhões em multas, de acordo com a Alliance for Automotive Innovation, que representa as maiores montadoras que operam nos EUA.

A eleição presidencial dos EUA em novembro também pode mexer nesse tabuleiro. Se o ex-presidente Donald Trump for eleito, espera-se que ele reduza ou remova as exigências de combustível verde, como fez durante seu primeiro mandato.

Já os fabricantes que operam na Europa enfrentam regulamentações mais rígidas para veículos elétricos. A União Europeia tem o objetivo de proibir a venda de veículos tradicionais movidos a combustíveis fósseis até 2035. No entanto, já foram feitas alterações nas regulamentações e grupos conservadores, como o Partido Popular Europeu, pediram o fim da proibição.

E o Brasil nesse mercado?

A disputa pelo mercado brasileiro de veículos híbridos vem se mostrando cada vez mais intensa. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os investimentos das montadoras no país somam R$ 117 bilhões. É o maior ciclo de aportes no país pelos fabricantes, incluindo as chinesas BYD e GWM. Nesse cálculo não estão autopeças e grandes fornecedores.

As empresas instaladas aqui já iniciaram uma corrida pela produção dos híbridos, inclusive com o uso do etanol (os híbridos flex), um combustível mais limpo, antes até de partirem para um carro 100% elétrico. Esse movimento deve garantir investimentos bilionários até 2030.

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