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Os primeiros resultados do grupo de trabalho foram apresentados durante a COP30 em Belém
Repórter de ESG
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 19h00.
Em meio à urgência da crise climática, a desinformação emergiu como um risco adicional aos esforços globais de preservação ambiental e ações efetivas. O cenário é agravado por líderes como o presidente americano, Donald Trump, indo na contramão das evidências científicas.
Para enfrentar esse desafio, o Fórum sobre Informação e Democracia divulgou nesta quinta-feira, 12, um relatório com dez prioridades para fortalecer a integridade da informação ambiental, fruto de um trabalho conjunto liderado por Brasil e Armênia.
O documento é resultado de 12 meses de trabalho do Grupo de Trabalho sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima e Meio Ambiente, que reuniu cerca de 100 formuladores de políticas públicas, pesquisadores e especialistas da sociedade civil de 30 países.
Os dados apontam que o mundo está fora da trajetória necessária para limitar o aquecimento global a 1,5°C conforme estabelecido pelo Acordo de Paris e a desinformação climática tem sido cada vez mais instrumentalizada para ganhos políticos, se tornando uma das principais ameaças globais contemporâneas.
"A ação por parte dos Estados e outros atores relevantes é urgente", disse Camille Grenier, diretor-executivo do Fórum sobre Informação e Democracia.
O relatório apresenta medidas que os governos podem implementar, em consonância com os princípios estabelecidos na Parceria sobre Informação e Democracia, em especial o direito à liberdade de opinião e de expressão.
Os primeiros resultados do grupo de trabalho foram apresentados durante a COP30 em Belém, quando países participantes endossaram a Declaração de Belém sobre Integridade da Informação sobre Mudança do Clima.
O relatório também alimenta a Iniciativa Global pela Integridade da Informação sobre Mudança do Clima, liderada pelo Brasil em parceria com a ONU e a Unesco.
A implementação das recomendações já está em andamento em países como Brasil, Armênia, Bélgica e França, com previsão de novo relatório de acompanhamento em 2026.
O documento estabelece medidas concretas que abrangem desde a reforma da publicidade digital até o fortalecimento da educação midiática. Entre as principais recomendações estão:
Governança integrada – Incorporar a integridade da informação nos marcos de governança climática e ambiental, reconhecendo que a ação climática depende do acesso a informações confiáveis.
Reforma econômica – Reformar a publicidade digital e os incentivos econômicos para interromper a monetização da desinformação ambiental.
Transparência corporativa – Ampliar a responsabilização de empresas para combater o "greenwashing" e regular alegações ambientais enganosas.
Proteção de jornalistas – Proteger jornalistas e defensores ambientais como base para um debate público informado.
Regulação de plataformas – Fortalecer marcos regulatórios para que plataformas digitais garantam acesso a informações confiáveis e sejam responsabilizadas por seus sistemas.
Jornalismo de qualidade – Reforçar a liberdade e sustentabilidade da imprensa e o jornalismo ambiental como bens públicos.
Comunicação científica – Aprimorar a divulgação de dados científicos e promover inclusão digital para acesso universal a informações ambientais.
Educação – Promover educação ambiental e midiática para fortalecer a resiliência social à desinformação.
Pesquisa – Expandir pesquisas, monitoramento e metodologias compartilhadas sobre desinformação ambiental.
Coordenação internacional – Fortalecer capacidades institucionais e alinhamento entre esforços nacionais e iniciativas globais.
O relatório completo está disponível no site da COP30.