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Pesquisa do Data8 mostra que responsabilidades familiares atravessam trabalho, finanças e autocuidado; 36% dos 50+ ainda apoiam financeiramente os filhos
Repórter de ESG
Publicado em 14 de outubro de 2026 às 15h33.
Última atualização em 15 de outubro de 2026 às 16h18.
Em 2026, sete em cada dez brasileiros com mais de 50 anos são responsáveis por alguém ou cuidam de outra pessoa, segundo o estudo Tsunami Prateado 2026, da empresa Data8. Essa geração sanduíche ampara filhos, cônjuges, pais e netos enquanto enfrenta pressão financeira, física e emocional. A Economia Prateada movimenta R$ 1,8 trilhão, de acordo com o levantamento.
Chegar aos 50 anos não significa necessariamente ter menos responsabilidades familiares. Para uma parcela dos brasileiros nessa faixa etária, ocorre justamente o contrário: filhos, pais, cônjuges e até netos continuam dependendo de seu dinheiro, tempo e cuidado.
Sete em cada dez brasileiros com mais de 50 anos são responsáveis e/ou cuidam de alguém, segundo o recorte sobre Geração Sanduíche do estudo Tsunami Prateado 2026, realizado pelo Data8. Entre eles, 38% são responsáveis pelo cuidado do cônjuge, 23% cuidam dos filhos, 21% do pai ou da mãe e 5,5% dos netos.
O levantamento retrata uma população que chegou à maturidade, mas segue ocupando uma posição central na sustentação e na organização das famílias. Quatro em cada dez pessoas desse grupo têm filhos morando dentro de casa, enquanto 36% ainda têm a mãe viva. Cerca de 26% estão entre 50 e 54 anos.
É essa combinação de responsabilidades que forma a chamada geração sanduíche: pessoas pressionadas simultaneamente pelas necessidades de diferentes gerações da família.
Segundo Layla Vallias, cofundadora do Data8 e coordenadora do Tsunami Prateado, o fenômeno também muda a maneira de interpretar o consumo da população com mais de 50 anos.
“Muitas vezes, o dinheiro dessa pessoa não é gasto só com ela: financia os filhos, os pais, o cônjuge e a casa”, afirma.
De acordo com Vallias, em oito anos, a parcela de brasileiros 50+ que cuida de outra pessoa passou de 37% para 57%. “Então parte importante da Economia Prateada é, na verdade, consumo intergeracional financiado pelos 50+.”
A Economia Prateada, conjunto de atividades econômicas relacionadas às demandas e ao consumo da população mais velha, movimenta R$ 1,8 trilhão, de acordo com o estudo. O Data8 estima que a população brasileira acima dos 50 anos tenha passado de 51 milhões em 2018 para 62 milhões em 2026.
O impacto aparece diretamente nas finanças. Entre os integrantes da geração sanduíche pesquisados, 36% ajudam financeiramente os filhos, 30% apoiam o cônjuge e 18% destinam recursos ao pai ou à mãe.
Outros 16% também gerenciam ou pagam contas de familiares pelo aplicativo bancário. E 21% apontam como seu maior medo ver filhos ou netos malsucedidos profissionalmente.
Esse quadro ajuda a explicar por que olhar apenas para a renda individual pode ser insuficiente para entender o poder de consumo desse grupo. Parte do orçamento que poderia ser destinado às próprias necessidades é compartilhada com pessoas em diferentes fases da vida.
Cuidado familiar afasta 33% das mulheres do mercado de trabalho, diz estudoAo mesmo tempo, o levantamento aponta uma contradição no mercado voltado aos mais velhos. O estudo classifica os 50+ como principais shoppers, consumidores responsáveis pelas decisões e compras da família, mas 33% dizem sentir falta de produtos e serviços destinados à sua idade.
Entre as principais lacunas citadas estão vestuário, calçados e acessórios, mencionados por 35%; turismo e hospitalidade, por 28%; alimentos para necessidades específicas, por 26%; suplementos e vitaminas, por 24%; e cursos de empreendedorismo, por 23%.
A pressão não é apenas financeira. Sete em cada dez integrantes da geração sanduíche concordam com as afirmações de que há pessoas que dependem deles no dia a dia e ocupam boa parte de seu tempo e energia e de que estão “na luta para sustentar a casa e a família” e não podem parar.
Para Lívia Hollerbach, head de Insight e de Dados e Comportamento do Data8 e coordenadora do Tsunami Prateado, os relatos mostram a sobreposição entre trabalho remunerado e cuidado familiar.
“Tem gente cuidando do pai de 90 anos, trabalhando e ainda sustentando filhos; outros chegaram a deixar o emprego para cuidar dos pais”, afirma. “É uma sobrecarga financeira, física e emocional ao mesmo tempo.”
O próprio estado de saúde registrado pela pesquisa ajuda a dimensionar essa pressão. Entre os integrantes da geração sanduíche, 39% são hipertensos, 23% relatam ansiedade, 21% obesidade ou sobrepeso e 8% depressão. O grupo também pratica menos atividades físicas regularmente, segundo o estudo.
Para Hollerbach, existe uma tensão particular nesse momento da vida: enquanto aumenta a necessidade de investir no próprio envelhecimento, diminui o espaço disponível para isso.
“Justamente quando essas pessoas precisam investir mais no próprio envelhecimento, falta tempo para cuidar de si”, diz.
Para Vallias, individualmente, essa possibilidade tende a ficar menor diante da combinação entre maior longevidade, famílias menores e pessoas chegando à maturidade com os pais ainda vivos.
A saída, segundo ela, passa por uma infraestrutura de cuidado financiada integral ou parcialmente pelo Estado.
Entre as possibilidades citadas estão serviços domiciliares, benefícios destinados ao cuidador familiar, maior flexibilidade no trabalho e políticas de cuidados de longa duração.
O estudo não mede o custo dessas políticas nem estima qual parcela da responsabilidade poderia ser transferida das famílias para outras estruturas. Os dados, porém, mostram quanto as decisões de trabalho, saúde e finanças desse grupo já estão condicionadas às necessidades de outras pessoas. O próprio relatório descreve uma rotina na qual tempo e energia são organizados em função de quem depende desses indivíduos.
Para Hollerbach, a discussão também alcança quem ainda está distante dos 50 anos. A preparação para uma vida mais longa, afirma, não deveria considerar apenas a acumulação de dinheiro.
“Precisamos fazer três contas fecharem juntas: a da saúde, a do trabalho e a do dinheiro”, diz.
Ela usa os conceitos de healthspan, período da vida vivido com saúde e autonomia; workspan, período em que uma pessoa consegue permanecer produtiva profissionalmente; e moneyspan, período em que os recursos financeiros são suficientes para sustentar sua vida.
“Não adianta chegar aos 80 com dinheiro e sem autonomia; nem com saúde e sem recursos para se sustentar”, afirma Hollerbach.Na avaliação da executiva, esse planejamento envolve cuidar da saúde, diversificar as fontes de renda, investir e construir patrimônio desde cedo. A discussão ganha peso justamente porque o retrato atual da geração sanduíche mostra que os recursos acumulados ao longo da vida podem ter de sustentar não apenas a própria velhice, mas também necessidades de filhos, pais e outros familiares.
A geração sanduíche reúne pessoas pressionadas simultaneamente pelas necessidades de diferentes gerações da família. No estudo Tsunami Prateado 2026, o grupo inclui brasileiros com mais de 50 anos que sustentam ou cuidam de filhos, cônjuges, pais e netos.
Sete em cada dez brasileiros com mais de 50 anos são responsáveis por alguém ou cuidam de outra pessoa, segundo o recorte sobre geração sanduíche do estudo Tsunami Prateado 2026. De acordo com Layla Vallias, cofundadora do Data8, a parcela dos 50+ que cuida de outra pessoa passou de 37% para 57% em oito anos.
Segundo o estudo do Data8, 38% dos integrantes da geração sanduíche cuidam do cônjuge, 23% dos filhos, 21% do pai ou da mãe e 5,5% dos netos. O levantamento também aponta que 36% ajudam financeiramente os filhos, 30% apoiam o cônjuge e 18% destinam recursos aos pais.
Entre os integrantes da geração sanduíche, 39% são hipertensos, 23% relatam ansiedade, 21% têm obesidade ou sobrepeso e 8% apresentam depressão, segundo o estudo. Lívia Hollerbach, coordenadora do Tsunami Prateado, afirma que o grupo enfrenta sobrecarga financeira, física e emocional.
A Economia Prateada movimenta R$ 1,8 trilhão, de acordo com o estudo Tsunami Prateado 2026. O Data8 estima que a população brasileira com mais de 50 anos tenha aumentado de 51 milhões em 2018 para 62 milhões em 2026.
Layla Vallias defende uma infraestrutura de cuidado financiada total ou parcialmente pelo Estado. Entre as possibilidades citadas estão serviços domiciliares, benefícios para cuidadores familiares, maior flexibilidade no trabalho e políticas de cuidados de longa duração.