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O que está em jogo na nova parceria comercial entre Canadá e China

O acordo envolve uma “parceria estratégica” voltada principalmente para energia, agroalimentos e comércio

A visita de Mark Carney a Pequim foi a primeira de um premiê canadense desde 2017 (Kevin Dietsch/Getty Images)

A visita de Mark Carney a Pequim foi a primeira de um premiê canadense desde 2017 (Kevin Dietsch/Getty Images)

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Publicado em 20 de janeiro de 2026 às 00h12.

A decisão do Canadá de reduzir tarifas e avançar em uma nova parceria comercial com a China sinaliza algo além de um ajuste pontual de política econômica. O anúncio feito pelo primeiro-ministro canadense Mark Carney, após encontro com o presidente chinês Xi Jinping, em Pequim, reflete uma tentativa clara de reposicionar o país em um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, protecionismo crescente e disputa por cadeias produtivas estratégicas.

No centro do acordo está a formalização de uma “parceria estratégica” voltada principalmente para energia, agroalimentos e comércio — setores considerados sensíveis tanto do ponto de vista econômico quanto político. 

Um dos pontos mais emblemáticos é a autorização para a entrada de até 49 mil veículos elétricos chineses no mercado canadense, com aplicação da tarifa de nação mais favorecida, de 6,1%. Para Carney, a medida abre espaço para investimentos em joint ventures no Canadá e contribui para fortalecer a cadeia local de produção, ao ampliar a oferta de veículos a custos mais baixos para o consumidor.

A iniciativa ocorre em um momento em que o Canadá busca equilibrar sua política industrial com a necessidade de manter competitividade e atratividade para investimentos estrangeiros. Ao permitir maior acesso de produtos chineses, especialmente em um setor estratégico como o de veículos elétricos, Ottawa sinaliza disposição para integrar-se de forma mais ativa às cadeias globais de transição energética, ainda que isso implique lidar com pressões internas e externas.

Diversificação comercial

No campo agroalimentar, o entendimento anunciado representa um alívio relevante para produtores canadenses. A China se comprometeu a reduzir substancialmente as tarifas sobre a canola — de cerca de 84% para aproximadamente 15% — além de eliminar tarifas consideradas discriminatórias sobre produtos como ervilhas, lagostas e caranguejos. Segundo Carney, a medida tem potencial para “destravar bilhões de dólares em negócios”, ampliando o acesso do Canadá a um de seus principais mercados consumidores.

Mais do que ganhos setoriais, o acordo reflete uma estratégia de diversificação comercial. Em um contexto descrito pelo próprio premiê como “mais dividido e incerto”, o Canadá busca reduzir sua dependência de parceiros tradicionais e ampliar sua margem de manobra econômica. A meta anunciada de elevar em 50% as exportações canadenses para a China até 2030 reforça essa ambição.

Além do comércio, os dois países sinalizaram interesse em aprofundar a cooperação em áreas como energia limpa, governança global, segurança, intercâmbio cultural e turismo. A visita de Carney a Pequim — a primeira de um premiê canadense desde 2017 — marca, assim, uma inflexão pragmática na relação bilateral.

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