Repórter
Publicado em 16 de janeiro de 2026 às 08h52.
Última atualização em 16 de janeiro de 2026 às 08h53.
O presidente da China, Xi Jinping, recebeu nesta sexta-feira, em Pequim, o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, na primeira visita de um chefe de governo canadense ao país asiático em quase dez anos. O encontro marca uma tentativa de reaproximação após um período prolongado de tensões políticas e comerciais entre os dois países.
A reunião ocorreu no Grande Palácio do Povo. Segundo a emissora estatal CCTV, Xi afirmou que um desenvolvimento “saudável e estável” das relações bilaterais atende aos interesses de China e Canadá e contribui para a paz, a estabilidade e a prosperidade globais.
O presidente chinês destacou ainda que o contato mantido com Carney em outubro do ano passado, na Coreia do Sul, abriu uma nova fase de diálogo e defendeu a construção de uma parceria estratégica, “sustentável e duradoura”.
Carney agradeceu a recepção e afirmou que o Canadá está disposto a retomar a cooperação com a China com base na experiência acumulada no passado. Segundo ele, o objetivo é estabelecer uma relação estratégica compatível com o atual cenário internacional, capaz de gerar estabilidade, segurança e prosperidade para ambos os países e para a região do Pacífico.
Na véspera, o primeiro-ministro canadense se reuniu com o premiê chinês, Li Qiang, com quem discutiu cooperação comercial e energética. Após o encontro, os dois governos assinaram acordos em áreas como comércio e alfândegas.
De acordo com a televisão estatal chinesa, Carney manifestou interesse em aprofundar a colaboração em cadeias de suprimentos e setores estratégicos, além de reiterar o apoio de Ottawa ao multilateralismo e ao sistema internacional de comércio.
Li Qiang, por sua vez, defendeu a ampliação da cooperação em áreas como energia limpa, agricultura, tecnologias digitais e setor aeroespacial.
Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, reuniu-se com a chanceler canadense, Anita Anand, e afirmou ser necessário reduzir “interferências” e reforçar a confiança mútua para promover um desenvolvimento mais estável das relações bilaterais.
A visita ocorre em um contexto de tentativa de normalização após anos de atritos. As relações entre China e Canadá se deterioraram a partir de 2018, com a prisão da executiva da Huawei Meng Wanzhou no Canadá, a pedido dos Estados Unidos, seguida pela detenção de dois canadenses na China e pela imposição de sanções comerciais.
Apesar de uma melhora parcial em 2021, as tensões voltaram a crescer em 2023, após denúncias de ingerência chinesa nas eleições canadenses e a expulsão de um diplomata de Pequim.
*Com informações da EFE