Relatório deve mostrar o quanto a dívida vai subir com a pandemia

Num cenário de maior estresse, com queda de 5% no PIB, a dívida pública chega a 90,8% do PIB em 2020

Os gastos públicos para proteger o país da pandemia do novo coronavírus são transitórios, mas o impacto desses repasses – indiscutivelmente necessários e urgentes, – na dívida da União deve ficar por um tempo. Mais um degrau da evolução desse cenário será visto nesta terça-feira, 28, no relatório mensal da dívida pública federal de março, publicado pelo Tesouro Nacional.

Em fevereiro, a dívida pública bruta cresceu pelo segundo mês consecutivo, para 76,1% do PIB ante 76,5% do PIB em janeiro. A tendência daqui para frente é que a dívida continue a crescer até 2030. De acordo com o Instituto Fiscal Independente, as medidas de enfrentamentos ao vírus devam acelerar o endividamento ao patamar de 100,2% do PIB em 10 anos.

A expectativa do Tesouro, porém, leva em conta dois cenários: no melhor deles, no qual a economia contrai apenas 1% em 2020, a dívida bruta do governo vai a 86,4% do PIB. Num cenário de maior estresse, com queda de 5% no PIB, esta relação atingiria 90,8% do PIB. De qualquer forma, segundo o secretário Mansueto Almeida, “não passa de 100% do PIB em 2020”.

A trajetória da dívida é observada de perto pelo mercado financeiro, pois indica a capacidade do país de honrar suas obrigações financeiras com os credores. Em outubro do ano passado, a dívida pública havia atingido seu pior momento: 80% do PIB. Foi nesse mesmo mês em que a reforma da Previdência foi aprovada no Senado e a redução no ritmo de crescimento dos gastos, da ordem de 856 bilhões de reais ao longo de uma década, permitiria estabilizar a dívida pública.

Em seu melhor momento da história recente, dezembro de 2013, a dívida brasileira era de 51,5% do PIB. Em apenas seis anos, houve um aumento de 30 pontos percentuais. O retorno a esse patamar dependerá da continuidade da política de austeridade fiscal logo após o fim da pandemia e da aprovação de reformas fiscais pelo Congresso. Será um longo caminho de volta aos números que o Brasil tinha atingido antes da crise causada pelo coronavírus-19.

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