Economia
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Por que o PIB perdeu o fôlego e o que esperar do resultado de 2022

Para analistas, revisões feitas pelo IBGE farão economia ter desempenho melhor que o esperado. Mas tendência, daqui para frente é de desaceleração

PIB: para analistas, revisões feitas pelo IBGE farão economia ter desempenho melhor que o esperado (Getty Images/Getty Images)

PIB: para analistas, revisões feitas pelo IBGE farão economia ter desempenho melhor que o esperado (Getty Images/Getty Images)

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Agência O Globo

1 de dezembro de 2022, 16h14

A revisão dos dados do Sistema de Contas Nacionais pelo IBGE, que apontou crescimento maior para o PIB de 2021 (de 4,6% para 5%) e do 1º semestre de 2022, levou analistas a estimarem que o PIB encerrará o ano de 2022 mais próximo de 3%, em razão do carregamento estatístico provocado pelo desempenho da economia no primeiro semestre melhor do que o estimado anteriormente.

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Ainda assim, a análise que prevalece entre os especialistas é de que a atividade econômica entrou em rota de desaceleração no terceiro trimestre. Além de um desempenho frustrante na agropecuária em razão das revisões altistas nos trimestres anteriores e de safras mais modestas ao longo do ano, o consumo das famílias já perde fôlego mesmo com a injeção fiscal realizada pelo governo federal no período.

O PIB no quarto trimestre, inclusive, tende a não apresentar crescimento em relação ao trimestre anterior e pode até ter variação negativa, avaliam economistas.

Lucas Maynard, economista do Santander, destaca que os segmentos mais sensíveis ao ciclo econômico, como o comércio e a indústria de transformação, já sinalizaram no terceiro trimestre os efeitos da política monetária mais contracionista.

— Boa parte do [crescimento] do terceiro trimestre foi por componentes menos cíclicos e isso não deve se repetir no quarto trimestre — alerta.

Maynard projeta que o PIB no quarto trimestre não terá crescimento em relação ao anterior e atribui viés de baixa. Segundo ele, os efeitos da normalização dos serviços prestados às famílias estão se esgotando.

— Ainda faltam muitos indicadores, mas os primeiros coincidentes que temos, especialmente o iGet de outubro e a prévia de novembro, mostram crescimento modesto do consumo no quarto trimestre. (...) Com as revisões dos trimestres anteriores, o ano deve fechar em 3% ante projeção de 2,8%.

Thiago Xavier, analista da Tendências Consultoria, também não projeta crescimento para a atividade no quarto trimestre deste ano, e avalia que há riscos relevantes que o PIB no período fique no campo negativo.

Segundo o economista, o mercado de trabalho da construção civil, setor que colaborou para a alta do PIB no terceiro trimestre, deve perder força conforme apontam dados Pnad contínua divulgados pelo IBGE.

— A política fiscal acabou minimizando e retardando os efeitos da política monetária que está em nível extremamente contracionista. Mas a perda de ritmo deve se acentuar e já vemos isso nos dados de altíssima frequência. O benefício gerado pela normalização do quadro sanitário está chegando ao fim. O consumo das famílias deve perder mais força diante de menos estímulos fiscais e encarecimento do crédito.