Para Fator, é ingênuo esperar superávit acima de 1,6% do PIB

Para economista-chefe do banco, não dá tempo de cortar R$ 28 bilhões

São Paulo - É ingênuo esperar superávit primário acima de 1,6% do PIB, segundo José Francisco de Lima Gonçalves, economista-chefe do Banco Fator. “É equívoco do governo prometer o que não vai entregar. O que fizeram no ano passado, o ajuste contábil, é armar uma conta para dar 3,1%, quando o correto seria dizer que não deu”, afirmou Gonçalves durante apresentação no Comitê de Finanças da Câmara Americana de Comércio Brasil-Estados Unidos (Amcham).

“Estamos no meio do ano e tudo indica que não temos 2,3% agora. Acredito que a arrecadação irá cair no segundo semestre e o governo vai cortar gastos para compensar isso? Não dá tempo. Desejar é diferente de conseguir”, disse. Segundo Gonçalves, não dá tempo de cortar 28 bilhões de reais. “Não se sabe de onde tirar e, além disso, o Congresso não deixa”, afirmou.

O economista-chefe comentou sobre as mudanças nas projeções para alguns indicadores econômicos entre o final de 2012 e o mês de junho desse ano. “Em menos de um mês a coisa piorou de maneira impressionante”, disse Gonçalves.

Para ele o balanço do que pesa mais, se a questão externa ou a interna, é subjetivo, embora não dê para desconsiderar essa questão. “Estamos passando por um processo de ajuste global que não é suave, não tem como ser suave”, disse Gonçalves, citando a estagnação na Europa, a expectativa menor para o crescimento chinês e a recuperação incerta dos EUA. “Em função disso tudo as commodities assumiram um padrão de oscilação bem diferente do que conhecíamos antes”, afirmou.

Projeções

O Banco Fator projeta o IPCA que será divulgado amanhã em 0,34% e espera uma alta de 0,50 ponto percentual na Selic após a reunião do Copom na próxima semana – seguida por mais duas altas de 0,50 ponto percentual. “Tudo depende se a nossa taxa real de juros aguenta a dos EUA e não é a o que o Fed vai fazer, é o que o mercado acha que o Fed vai fazer, quando e de que jeito”, disse.

Para o PIB de 2013, a projeção é de 2,4%, com previsão de cair para 2,2%. “Os dados da produção industrial divulgados nessa semana foram a pá de cal”, afirmou. 

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