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Para Emirados Árabes, Opep não pode defender preços

Opep já não pode mais "defender" os preços do petróleo, disse o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos

Abu Dhabi - A Opep já não pode mais "defender" os preços do petróleo, em queda livre desde junho, afirmou nesta terça-feira o ministro de Energia dos Emirados Árabes Unidos, e culpou a grande produção de petróleo de xisto pelas baixas cotações da commodity.

O país, membro da Organização de Países Exportadores de Petróleo (Opep) e outros integrantes do cartel, como a Arábia Saudita, estariam dispostos a aceitar um preço baixo para tirar do mercado os produtores de petróleo de xisto, principalmente os Estados Unidos, segundo alguns analistas.

"Não podemos continuar protegendo um determinado nível de preços", declarou o ministro dos Emirados Árabes Suhail Mazrui, ao se referir à Opep, durante um fórum sobre a indústria petroleira em Abu Dabi.

O barril de Brent caiu nesta terça-feira para pouco mais de 47 dólares em Londres, enquanto em Nova York o WTI abriu abaixo de 45 dólares, preços sem precedentes desde 2009. Em junho do ano passado, o barril de petróleo valia 115 dólares.

A tendência à queda de preços foi acentuada após a decisão da Opep, em novembro, de manter inalterado seu teto de produção.

Nesse contexto, o ministro de Energia do Emirados Árabes Unidos afirmou que a produção de xisto é a responsável pela queda dos preços e que por isso deveria ser controlada.

"Temos vivido uma superprodução, oriunda sobretudo do petróleo de xisto, e isso deve ser corrigido", afirmou.

"O petróleo de xisto acrescenta 4 milhões de barris diários (mbd) procedentes dos Estados Unidos no mercado e são previstos mais 4 mbd em 2020. Mas essa produção não poderia se sustentar com os preços atuais", ressaltou o ministro.

Países afetados pela queda de preços

Alguns países sofrem particularmente com a redução dos preços do petróleo, sobretudo Venezuela, Rússia e Irã.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, visitou nesta terça-feira a Argélia, quarto país-membro da Opep pelo qual passou em viagem dedicada ao controle da queda das cotações da commodity, que tem afetado duramente a economia de seu país.

Nos últimos dias, Maduro visitou o Catar, a Arábia Saudita e o Irã, participando de reuniões para tratar o tema.

"Continuamos construindo os critérios do novo consenso, da nova etapa do mercado petroleiro, a fim de estabilizá-lo por vários anos", afirmou na segunda-feira o presidente venezuelano à emissora estatal venezuelana VTV depois de encontrar o emir do Catar Tamim bin Hamad Al Thani.

Nesta terça-feira, a agência de classificação de risco Moody's rebaixou em dois níveis, para Caa3, a nota da dívida da Venezuela, e considerou que o risco de moratória do país "cresceu claramente".

A Venezuela está na categoria de países emissores de dívida "de risco muito alto", segundo a Moody's. A agência explicou que a queda dos preços do petróleo era o "principal fator" do rebaixamento da nota devido a seu impacto sobre a balança de pagamentos e as reservas de divisas do país.

O Irã também foi muito afetado pela queda de preços. O presidente iraniano Hassan Rohani afirmou nesta terça-feira que a economia do seu país poderá superar a queda das cotações e advertiu que "quem planejou a redução dos preços do petróleo contra certos países vai lamentar".

A Rússia — que obtém dos hidrocarbonetos a metade de suas receitas públicas — também tem sido fortemente atingida pela queda dos preços.

Nesta terça-feira, o rublo caiu 5% em relação ao dólar. Depois de ter sofrido uma desvalorização de 41% em 2014, a moeda russa recuou 16% em relação ao dólar desde o início do ano, abalada pelos efeitos da queda dos preços do petróleo sobre a economia do país e pelas sanções internacionais.

*Atualizada às 22h22 do dia 13/01/2014

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