Economia

ONU pede aumento de salários como incentivo à economia

A Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento prevê um crescimento mundial de entre 2,5% e 3% em 2014 (contra 2,3% em 2012 e 2013)


	Dinheiro: a demanda deveria ser o "motor" da recuperação, diz CNUCD
 (Scott Eells/Bloomberg)

Dinheiro: a demanda deveria ser o "motor" da recuperação, diz CNUCD (Scott Eells/Bloomberg)

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Da Redação

Publicado em 10 de setembro de 2014 às 19h14.

A recuperação da economia mundial passa pelo aumento dos salários, por uma distribuição de renda justa e pela regulação dos sistemas financeiros, anunciou nesta quarta-feira a Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (CNUCD) em um relatório.

A CNUCD prevê um crescimento mundial de entre 2,5% e 3% em 2014 (contra 2,3% em 2012 e 2013). Mas isso dependerá das regiões.

Os países em desenvolvimento crescerão em torno de 4,7% (contra 4,6% em 2013) e os desenvolvidos, 1,8% (1,3% em 2013).

"Este crescimento apresenta alguns aspectos que nos levam a pensar no pré-crise" de 2007, como as bolhas de ativos, os créditos fáceis, um setor financeiro que continua desregulado e a desigualdade social, explica o coordenador do relatório, Alfredo Calcagno.

Além disso, a "recuperação é fraca" e o "comércio internacional segue apático", ressaltam os especialistas da ONU, para quem o crescimento do comércio mundial exige uma recuperação vigorosa da produção nacional impulsionada pela demanda interna.

A demanda deveria ser o "motor" da recuperação. "Mas para investir, é preciso prever o que vai ser vendido", disse Calcagno.

Para sair deste período prolongado de "marasmo econômico", a ONU considera que é necessário reforçar a demanda global por meio de um aumento real dos salários e de uma distribuição de renda mais justa, em vez da formar novas bolhas financeiras.

"O mundo corre o risco de reproduzir erros passados. É urgente reforçar a demanda interna e colocar as finanças em seu lugar", dizem os economistas, considerando que as causas profundas da crise de 2007 - entre elas a ausência de regulação financeira mundial - não foram solucionadas.

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