Economia

Moody's estuda corte de rating do Brasil antes de eleições

A empresa de classificação de risco também pode rebaixar a nota do México e do Chile nos próximos 12 meses

Moody´s: empresa mantém perspectivas negativas para as classificações. (Reprodução/Divulgação)

Moody´s: empresa mantém perspectivas negativas para as classificações. (Reprodução/Divulgação)

DR

Da Redação

Publicado em 10 de novembro de 2017 às 16h26.

Última atualização em 10 de novembro de 2017 às 16h26.

Priorizar nos meus resultados Google

A Moody’s Investors Service pode rebaixar as classificações de crédito de até três grandes economias da América Latina e não esperará os resultados das próximas eleições presidenciais, disse um alto funcionário da empresa.

A empresa mantém perspectivas negativas para as classificações do Brasil, do Chile e do México e há uma “boa possibilidade” de que os três países sejam rebaixados nos próximos 12 meses, disse Jaime Reusche, diretor de crédito sênior da Moody’s, em entrevista em Lima. Outra possibilidade é que a empresa mude a perspectiva das classificações para estável, disse ele.

Há eleições programadas em pelo menos quatro países latino-americanos para os próximos 12 meses e candidatos populistas vêm ganhando terreno nas pesquisas depois que os anos de crescimento econômico fraco corroeram as finanças dos governos. A análise da Moody’s sobre cada país compreenderá avaliações políticas, mas as principais ameaças são as negociações comerciais no México, a reforma previdenciária no Brasil e questões econômicas estruturais no Chile.

“Estamos começando a ver uma estabilização das condições macro gerais e alguns países, como a Argentina, têm potencial significativo de alta em termos de desempenho econômico”, disse Reusche. “No restante da região, é difícil prever. Os problemas econômicos crescentes trouxeram desafios políticos significativos.”

O Chile, país mais rico da América do Sul, foi rebaixado pela Fitch Ratings e pela S&P Global Ratings nos últimos meses após quatro anos de crescimento econômico lento e devido ao crescente déficit orçamentário.

Reusche não descartou uma atuação da Moody’s nas próximas semanas, no momento em que os chilenos escolherão um sucessor para a presidente Michelle Bachelet. O primeiro turno da eleição ocorrerá em 19 de novembro e se nenhum candidato conseguir mais de 50 por cento dos votos, o segundo turno será em 17 de dezembro.

As eleições presidenciais no México e no Brasil estão programadas para 2018. Os colombianos também irão às urnas em 2018 e a Moody’s mantém perspectiva estável para a classificação do país.

Acompanhe tudo sobre:América LatinaMoody'sRatingEleições 2018

Mais de Economia

Ata do Copom não descarta novos cortes da Selic mas cita 'aumento de incerteza'

BC mantém espaço para novo corte da Selic após eleições, dizem economistas

Com Selic a 13,75% ao ano, Brasil segue com o maior juro real do mundo

BC corta a Selic pela 5ª vez seguida e taxa de juros no Brasil cai para 13,75%