Mercado mantém perspectiva de Selic a 9% ao ano em 2012

Os analistas preveem a manutenção da taxa, apesar da indicação do BC de dar continuidade à redução da Selic

São Paulo - O mercado financeiro manteve a previsão de que a Selic permanecerá em 9 por cento ao ano na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em maio, mesmo depois de o Banco Central indicar que pode continuar reduzindo a taxa básica de juros do país. Ao mesmo tempo, os agentes elevaram as expectativas para a inflação tanto em 2012 quanto em 2013.

O Relatório Focus do BC, publicado nesta segunda-feira, mostrou ainda que os analistas preveem que a Selic terminará o ano em 9 por cento e fechará 2013 em 10 por cento, também inalterado em relação à semana passada.

Em sua ata da última reunião do Copom, divulgada na semana passada, o BC indicou que deve continuar reduzindo a Selic, embora tenha destacado que qualquer movimento deve ser conduzido com "parcimônia". No dia 18 passado, o comitê reduziu a taxa em 0,75 ponto percentual, para os atuais 9 por cento ao ano.

Logo em seguida, parte dos agentes econômicos passou a fazer apostas em mais cortes, entre 0,50 e 0,25 ponto percentual.

O mercado continua atento às decisões do BC em relação à taxa Selic, entre outros, por causa da poupança que, no limite, pode evitar mais cortes na taxa básica de juros.

O Ministério da Fazenda já tem um mix de alternativas para manter a poupança menos atrativa que as aplicações nos fundos de investimento e evitar a migração de recursos. Segundo uma fonte próxima ao assunto ouvida pela Reuters na semana passada, entre elas estavam a possibilidade de reduzir a rentabilidade da poupança, mas mantê-la isenta de Imposto de Renda (IR), ou o contrário: manter a rentabilidade mas passar a tributar os ganhos financeiros a partir de aplicações acima de 50 mil reais.

O rendimento da poupança é fixado em 0,50 por cento ao mês, mais a variação da Taxa Referencial, mas o aplicador é isento de Imposto de Renda. A queda da Selic pode provocar uma migração dos investidores das aplicações em renda fixa, que são remuneradas pela taxa básica, para a poupança, o que causaria distorções no mercado.

INFLAÇÃO Para a inflação, as estimativas dentro do Focus apontam que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) fechará este ano em 5,12 por cento, ante 5,08 por cento no relatório da semana passada. Para o final de 2013, o mercado também ampliou suas contas para o indicador, passando de 5,50 para 5,53 por cento.


Para o IPCA em 12 meses, as projeções ficaram em 5,53 por cento, contra uma alta de 5,47 por cento na semana passada.

O relatório também mostrou alteração na perspectiva do Produto Interno Bruto (PIB), cuja previsão agora é de encerrar 2012 com crescimento de 3,22 por cento, ante 3,21 por cento na semana passada. Para 2013, a projeção dos agentes consultados elo BC é de crescimento de 4,30 por cento, ante 4,25 por cento no último relatório.

O BC vem repetidamente afirmando que a inflação vai convergir para o centro da meta oficial de 4,5 por cento pelo IPCA no fim do ano.

Na ata publicada na semana passada, o Copom elevou a projeção de inflação para 2012 e 2013 pelo cenário de referência -que leva em consideração o câmbio a 1,85 real e a Selic em 9,75 por cento. Segundo o documento, para este ano a inflação encontra-se "em torno do valor central" da meta do governo, de 4,5 por cento pelo IPCA. Para 2013, a inflação está "acima" do centro da meta.

Em março, o IPCA subiu menos do que o esperado, com alta de 0,21 por cento no mês e 5,24 por cento no acumulado em 12 meses, ante 5,85 por cento nos 12 meses até fevereiro.

Ainda segundo o Focus, a taxa de câmbio prevista no para o fim de 2012 pelo mercado é de 1,80 real por dólar, inalterado ante a semana passada.

*Matéria atualizada às 9h33

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