Economia

Mercado espera corte de 0,25 da Selic e sinalização cautelosa do Copom

A expectativa consolidada do mercado é de corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano. Agentes do mercado focam na comunicação que acompanhará a decisão

Galípolo: BC deve sinalizar cautela  (Raphael Ribeiro/BC/Flickr)

Galípolo: BC deve sinalizar cautela (Raphael Ribeiro/BC/Flickr)

André Martins
André Martins

Repórter de Brasil e Economia

Publicado em 29 de abril de 2026 às 06h00.

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anuncia nesta quarta-feira, 29, sua decisão sobre a taxa básica de juros.

A expectativa consolidada do mercado é de corte de 0,25 ponto percentual, levando a Selic para 14,5% ao ano.

Mais do que o movimento, já amplamente precificado, o foco dos agentes do mercado está na comunicação que acompanhará a decisão.

Segundo relatório do C6 Bank, “o ritmo de corte atual de 25 pontos-base deve ser mantido”, mesmo em um ambiente considerado mais desafiador para a inflação.

O relatório destaca a alta das projeções inflacionárias, a resiliência da atividade e pressões no mercado de trabalho como fatores que mantêm o cenário pressionado. Nesse contexto, “a projeção de inflação para o horizonte relevante deve permanecer acima da meta”.

A instituição também aponta que o Banco Central deve agir com cautela na sinalização futura.

“O Comitê deve manter cautela na sinalização dos próximos passos da política monetária”, diz o relatório.

Já os economistas do Banco Daycoval enfatizam o nível de incerteza como elemento central da decisão. Em relatório, a instituição resgata a comunicação da última reunião, quando o Copom afirmou que o cenário é marcado por “forte aumento da incerteza”.

Segundo o banco, “os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações”, especialmente sobre os efeitos do conflito no Oriente Médio na inflação.

O relatório também aponta deterioração recente das expectativas inflacionárias.

Nas últimas semanas, os analistas do mercado financeiro subiram as projeções de inflação. Para 2026, saiu de 4,31% há quatro semanas para 4,80%. Para o fim de 2027, período relevante para a política monetária, a expectativa é de 4%.

Trajetória de juros e o que monitorar no comunicado

O relatório da Consultoria Warren, assinado pelo economista Luis Felipe Vital, aponta que “o Copom deve voltar a enfatizar que discutiu se deveria seguir com a calibragem da taxa de juros”.

A leitura inclui ainda o tratamento do choque inflacionário recente. De acordo com o documento, o Banco Central deve “reduzir a importância das surpresas observadas”, o que seria interpretado como uma sinalização de look through no choque de oferta, ou seja, menor reação a impactos considerados temporários.

Vital destaca que o Copom deve reforçar o desconforto com a desancoragem, especialmente nos horizontes mais longos.

“Esse cenário exige da política monetária taxas restritivas por um período mais prolongado”, diz o relatório.

O banco também projeta mudanças no balanço de riscos. “Esperamos uma revisão significativa do parágrafo que trata do balanço de riscos”.

A expectativa é que essa sinalização reflita a evolução recente do cenário, sem necessariamente indicar os próximos passos da política monetária.

“Não esperamos que o Banco Central sinalize claramente os próximos passos na forma de um forward guidance”, afirma o relatório.

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