Economia

Meirelles quer reverter Refis, mas sinaliza negociação

Meirelles afirmou, a princípio, que um novo relatório para a renegociação de dívidas tributárias deveria ser apresentado por um novo deputado

Meirelles: o ministro reiterou a sugestão de que os interessados façam a adesão ao programa segundo as regras atuais (Adriano Machado/Reuters)

Meirelles: o ministro reiterou a sugestão de que os interessados façam a adesão ao programa segundo as regras atuais (Adriano Machado/Reuters)

R

Reuters

Publicado em 7 de agosto de 2017 às 18h53.

Última atualização em 7 de agosto de 2017 às 21h47.

Brasília - O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, apontou nesta segunda-feira que o governo trabalhará para aprovar na Câmara dos Deputados um texto mais duro para o Refis do que o que foi aprovado em comissão mista no Congresso Nacional, mas deixou em aberto a possibilidade de alguma flexibilização.

Falando após evento de simplificação tributária, Meirelles afirmou, a princípio, que um novo relatório para a renegociação de dívidas tributárias deveria ser apresentado por um novo deputado, "visando fazer um projeto mais equilibrado e mais justo".

Mais tarde, a assessoria de imprensa da Fazenda informou que a estratégia na verdade consiste na apresentação de emenda aglutinativa em plenário da Câmara. Depois, o projeto ainda precisa ser aprovado no Senado.

Meirelles reiterou a sugestão de que os interessados façam a adesão ao programa segundo as regras atuais, até o dia 31 de agosto, conforme prazo determinado pela Medida Provisória enviada pelo governo sobre o tema.

Mas ao contrário de ocasiões anteriores, em que afirmou que sugeriria o veto presidencial a eventuais alterações feitas pelos parlamentares, afirmou ter reuniões marcadas com líderes do Congresso para negociação da proposta.

A negociação, no entanto, não será fácil e deve enfrentar resistência considerável entre líderes da base, que vêem na tentativa da Fazenda de recuperar o texto original um recuo e um descumprimento do que havia sido acertado com eles, informou uma fonte com conhecimento do assunto, que preferiu manter o anonimato.

"Se o texto for muito duro, não vai passar pelos líderes na Câmara mais ligados ao setor produtivo, industrial", disse a fonte.

"Eles defendem um Refis mais generoso,eles vão estar muito reativos à mudanças no texto" que saiu da comissão especial", avaliou.

Outro argumento muito utilizado por críticos ao texto do governo é que do jeito que está teria baixa adesão.

Meirelles, por ora, tenta atrair adesões com a promessa de uma migração futura.

"Quem entrar, aderir ao projeto como está hoje assegura o direito e depois pode migrar, mudar, aderir ao novo projeto, se este vier a ser aprovado", afirmou.

"O importante é o seguinte: a medida tem que ser arrecadatória, tem que preservar o interesse do país", acrescentou em outro momento.

Questionado se a nova versão para a proposta consistiria num texto intermediário, o ministro se limitou a dizer que o assunto começará a ser discutido nesta semana.

Na semana passada, o líder do governo no senado, Romero Jucá (PMDB-RR), avaliou que era possível construir um meio termo entre o Refis apresentado pelo governo e aquele que foi substancialmente afrouxado pelo relator, deputado Newton Cardoso Jr (PMDB-MG).

A versão do relator para o Refis implica arrecadação inferior a 1 bilhão de reais para 2017. Já o Programa Especial de Regularização Tributária (Pert) como enviado pelo governo tem potencial de render ao governo 13,8 bilhões de reais, conforme último relatório bimestral de receitas e despesas.

Acompanhe tudo sobre:ImpostosHenrique MeirellesMinistério da Fazenda

Mais de Economia

Boletim Focus: mercado reduz projeção do IPCA para 2026 pela 5ª vez consecutiva

Após ata, aposta por corte de 0,5 ponto na Selic em março ganha força

Carlos Antonio Rocca, fundador do Cemec-Fipe, morre aos 85 anos

R$ 88 bi do PIB e 640 mil empregos: os impactos do fim da escala 6x1