Economia

Levy enfrenta pressão de Estados e prefeituras

O ministro da Fazenda enfrenta forte desgaste político pela demora na regulamentação da lei que altera o indexador das dívidas


	Ministro da Fazenda Joaquim Levy: as bases dos governadores e prefeitos no Congresso vão aumentar os obstáculos à votação das medidas de ajuste fiscal
 (Wilson Dias/ABR)

Ministro da Fazenda Joaquim Levy: as bases dos governadores e prefeitos no Congresso vão aumentar os obstáculos à votação das medidas de ajuste fiscal (Wilson Dias/ABR)

DR

Da Redação

Publicado em 4 de março de 2015 às 10h49.

Brasília - O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, enfrenta forte desgaste político pela demora na regulamentação da lei que altera o indexador das dívidas e reduz o estoque dos débitos de Estados e municípios com a União.

Sancionada há três meses pela presidente Dilma, a lei ainda não foi regulamentada, tornando sem efeito, na prática, a mudança aprovada pelos parlamentares.

A pressão é um ingrediente adicional na crise política no Congresso, que levou na terça-feira, 3, o presidente do Senado Federal, Renan Calheiros (PMDB-AL), a devolver a medida provisória (MP) que eleva a tributação dos setores desonerados da folha de pagamentos.

Além da ofensiva do PT a favor da regulamentação, governadores e prefeitos de outros partidos beneficiados pela alteração na lei começaram a mobilizar suas bases no Congresso para pressionar Levy.

Segundo apurou o jornal O Estado de S. Paulo, eles vão aumentar os obstáculos à votação das medidas de ajuste fiscal. Filho do presidente do Senado, o governador de Alagoas, Renan Filho (PMDB), cobrou urgência ontem em reunião com o ministro.

Alagoas é um dos Estados prejudicados pela demora, assim como a cidade de São Paulo. Segundo Renan Filho, Levy prometeu uma solução até o fim de abril.

Os governadores também cobram do ministro R$ 1,9 bilhão que consideram pendente do ano passado, a título de ressarcimento pelas perdas da Lei Kandir, que desonerou o ICMS das exportações.

Os recursos não estavam previstos no Orçamento, mas os Estados consideram que são devidos pelo governo.

Preocupado com o ajuste fiscal nos Estados e municípios, o ministro já deu sinais de que não tem pressa em regulamentar a lei nem tem recursos para repassar a compensação da Lei Kandir por causa do aperto fiscal.

Haddad

A demora do ministro da Fazenda na regulamentação da lei irritou especialmente o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad.

A Prefeitura de São Paulo é a maior beneficiada pela nova lei e conta com a redução do estoque para destravar novos investimentos. Haddad conversou com a presidente sobre o assunto e cobrou uma solução para o problema.

Segundo auxiliares de Dilma, ela determinou que Levy apresente logo uma proposta de regulamentação. O prefeito se queixa que a taxa de serviço da dívida é "altíssima" e impede a cidade de fazer investimentos. Levy, no entanto, não tem prazo definido para fazer a regulamentação e está concentrado nas medidas fiscais para evitar o rebaixamento da nota do Brasil pelas agências de risco.

Em conversas reservadas, auxiliares de Haddad afirmam que, se as taxas de juros da dívida e o estoque atual forem mantidos por falta da regulamentação, o PT pode sepultar o projeto de reeleição para prefeito de São Paulo, em 2016.

Com a mudança do indexador, aprovada pelo Senado, a dívida da Prefeitura deverá cair de R$ 62 bilhões para R$ 36 bilhões, aproximadamente, devolvendo ao município o limite para contrair novos empréstimos.

Os governadores e prefeitos entraram em estado de alerta porque Levy deu indicações de que pretende criar "amarras" na regulamentação, para dificultar o aumento da capacidade de endividamento de governos estaduais e prefeituras beneficiadas pela lei. Colaborou Renata Veríssimo. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Acompanhe tudo sobre:Ajuste fiscalDilma RousseffDívida públicaEstados brasileirosJoaquim LevyPersonalidadesPolítica no BrasilPolíticosPolíticos brasileirosPT – Partido dos Trabalhadores

Mais de Economia

Fazenda mantém projeção do PIB de 2024 em 2,5%; expectativa para inflação sobe para 3,9%

Revisão de gastos não comprometerá programas sociais, garante Tebet

Haddad diz que discutiu com Lula investimentos para pente-fino de benefícios do INSS

Mais na Exame