Economia

Inflação e desemprego atingem níveis recordes no Brasil

O nível elevado de inflação vem se mantendo mesmo com a franca deterioração do emprego no país


	Carteiras de Trabalho: aumento do desemprego se deu tanto pela maior procura de emprego como pelo fechamento de vagas
 (Renato Alves/Ministério do Trabalho)

Carteiras de Trabalho: aumento do desemprego se deu tanto pela maior procura de emprego como pelo fechamento de vagas (Renato Alves/Ministério do Trabalho)

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Da Redação

Publicado em 19 de novembro de 2015 às 13h54.

São Paulo - A prévia da inflação oficial brasileira e a taxa de desemprego voltaram a atingir níveis recordes, desenhando um cenário complicado para a economia brasileira no próximo ano, embora as medidas de ajuste fiscal estejam no caminho certo para pavimentar um cenário de recuperação, acreditam economistas.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) acelerou a alta a 0,85 por cento em novembro, e no acumulado em 12 meses chegou a dois dígitos, a 10,28 por cento, nível mais alto em 12 anos, o que destaca a dificuldade do Banco Central de conter a alta dos preços mesmo com a economia em recessão.

O nível elevado de inflação vem se mantendo mesmo com a franca deterioração do emprego no país. Em outubro, a taxa de desemprego subiu a 7,9 por cento, maior nível para o mês em oito anos, e a renda do trabalhador recuou.

O aumento do desemprego se deu tanto pela maior procura de emprego como pelo fechamento de vagas.

A deterioração das contas públicas tem sido apontada como um dos principais fatores para manutenção da inflação em níveis elevados, apesar do aperto monetário promovido pelo Banco Central.

O setor público consolidado acumula déficit primário -- gastos maiores do que as receitas, mesmo sem contar com o pagamento do serviço da dívida-- de 25,7 bilhões de reais em 12 meses até setembro, equivalente a 0,45 por cento do PIB.

O governo prevê que o rombo neste ano do setor público ficará entre 48,9 bilhões e 117 bilhões de reais "Tem que seguir cortando gastos e aumentando a arrecadação.

Não tem muito o que fazer, e isso só mostra como o cenário é complicado", destacou a economista-chefe da consultoria Tendências, Alessandra Ribeiro. Para ela, sem os ajustes o cenário poderia ser ainda pior, com inflação mais alta e maior aumento da taxa de juros.

O governo conseguiu nesta semana algumas vitórias importantes no Congresso, com a manutenção de vetos presidenciais a medidas que aumentariam os gastos públicos.

Agora busca a aprovação do orçamento de 2016, principalmente da recriação da CPMF, contribuição sobre movimentação financeira, para garantir que as contas voltem a registrar superávit no próximo ano.

"O ajuste está sendo feito como é possível. Se não tem espaço no orçamento para cortar mais, tem que aumentar impostos no curto prazo. Não é o ajuste ideal, mas por enquanto é o que dá para fazer", destacou o economista-chefe do banco ABC Brasil, Luis Otávio Leal.

Arrumar a situação fiscal é primordial para a retomada da confiança, pavimentando as bases para uma melhora econômica a partir do segundo semestre de 2016, acreditam economistas.

"É preciso parar com a deterioração da confiança. Colocar as contas fiscais em ordem ajudaria a debelar essa sensação de crise", avaliou o superintendente do Departamento Econômico do Citi Brasil, Marcelo Kfoury.

Apesar da recessão e do desemprego, a política monetária vem encontrando limitações para conter o avanço dos preços, mesmo com a taxa básica de juros Selic a 14,25 por cento, maior patamar desde 2006, diante de uma situação fiscal deteriorada, com o país registrando déficit primário.

O BC já reconheceu que não conseguirá trazer a inflação para o centro da meta --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou menos-- no final de 2016, postergando o objetivo para o final de 2017.

"O BC não tem espaço para reduzir a taxa de juros por uma boa parte do (próximo) ano, e só vai fazer isso quando tiver mais clareza (sobre a inflação) para 2017", destacou Alessandra, esperando uma queda da Selic somente em setembro do ano que vem.

Na próxima semana, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC se reúne novamente para decidir sobre a taxa básica de juros, e a expectativa é de que seja mantida.

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