Economia

Piora no emprego supera a vista na crise de 2008

Segundo técnico Rodrigo Lobo, cenário atual do emprego na indústria é pior do que durante a crise financeira mundial


	Funcionário trabalhando em uma siderúrgica da companhia em Serra, no Espírito Santo
 (Rich Press/Bloomberg)

Funcionário trabalhando em uma siderúrgica da companhia em Serra, no Espírito Santo (Rich Press/Bloomberg)

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Da Redação

Publicado em 10 de setembro de 2014 às 10h46.

Rio - O cenário atual do emprego na indústria é pior do que durante a crise financeira mundial ocorrida entre 2008 e 2009, afirmou o técnico Rodrigo Lobo, da Coordenação de Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo ele, o nível atingido em julho deste ano é o menor desde abril de 2004, de acordo com os dados ajustados sazonalmente, divulgados nesta quarta-feira, 10. A série foi iniciada em 2001.

O emprego industrial recuou 0,7% em julho ante junho, a quarta queda consecutiva. No mesmo período, houve alta de 0,7% na produção, mas devido à base mais enfraquecida pela redução de ritmo em função dos feriados da Copa do Mundo.

A tendência, portanto, segue sendo de desaceleração da atividade.

"Como o cenário atual é de queda na produção, os empresários têm feito ajustes. Então, há um processo de demissões", explicou o técnico. "Não há nenhum indício de que haverá retomada de contratações a partir de agora."

No ano passado, alguns analistas argumentavam que, a despeito da desaceleração na atividade industrial, empresários optaram por reter mão de obra, tendo em vista os altos custos. "Agora, pelo visto, está valendo a pena arcar com os custos da demissão", disse Lobo.

Segundo o IBGE, o emprego industrial está 7,3% abaixo do pico, registrado em julho de 2008. O quadro supera o vale da crise financeira mundial, quando em junho de 2009 o nível ficou 7,0% abaixo do pico, e só não é pior que abril de 2004 (7,5% abaixo do ponto máximo).

Além disso, o indicador de número de horas atingiu o menor patamar de toda a série, também iniciada em 2001. "Como o número de horas é um antecessor do que pode acontecer, o cenário não é promissor", disse Lobo.

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