Economia

Fortalecimento do dólar ajudará setor produtivo, diz governo

"O câmbio não é uma preocupação para nós", afirmou o ministro da Fazendo, Guido Mantega

"Havendo desvalorização do real, ficamos mais competitivos nas exportações, mas não está tendo intervenção do governo", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega (Wilson Dias/ABr)

"Havendo desvalorização do real, ficamos mais competitivos nas exportações, mas não está tendo intervenção do governo", disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega (Wilson Dias/ABr)

DR

Da Redação

Publicado em 29 de maio de 2013 às 23h28.

Brasília - O governo não só assistirá, sem reagir, ao processo de perda de valor do real perante a moeda norte-americana, como avalia que um fortalecimento do dólar vai ajudar o setor produtivo a ganhar mercado lá fora.

Em síntese, essa é a visão do governo Dilma Rousseff ao movimento no mercado de câmbio dos últimos dias, segundo a explicação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira.

"O câmbio não é uma preocupação para nós", afirmou Mantega. Na avaliação do comandante da equipe econômica, o mercado de câmbio brasileiro vem operando de olho no exterior.

Analistas internacionais se perguntam atualmente quando o Federal Reserve vai interromper as compras de títulos no mercado, na casa de US$ 85 bilhões mensais. Esse dinheiro, que vai para a mão de investidores, acaba batendo no Brasil, o que valorizava o real e barateava a moeda dos EUA.

Segundo Mantega, a desvalorização do real e de outras moedas é resultado da sinalização do Federal Reserve de que pode reduzir estes estímulos monetários e aumentar as taxas de juros em algum momento.

"Havendo desvalorização do real, ficamos mais competitivos nas exportações, mas não está tendo intervenção do governo. É um equilíbrio de mercado e favorece as exportações e o equilíbrio das contas externas", afirmou.

Nesta quarta-feira, a moeda norte-americana fechou em alta pelo oitavo pregão consecutivo. Quando o Federal Reserve (Fed) deu início ao processo de compra de títulos no mercado, imprimindo moeda, o ministro Mantega se celebrizou por classificar a medida como uma "guerra cambial".

Isso porque ao tornar o dólar barato, o governo norte-americano acaba tornando os produtos do País mais atrativos. As exportações aumentam e ajudam na recuperação da economia.

Além disso, ao injetar recursos em títulos da dívida do próprio País, o Federal Reserve desestimularia a busca de investidores por papéis, forçando-os a buscar outros investimentos produtivos e, assim, superar a crise financeira. Além do Fed, os bancos centrais da Inglaterra e do Japão atuaram agressivamente da mesma forma.

Diante da ofensiva, o governo brasileiro adotou as chamadas "travas" ou "medidas macroprudenciais" para desestimular a vinda desses dólares para o País, como aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) para algumas operações e mudanças nas regras dos bancos.

Quando o real começou a se valorizar, o governo brasileiro atuou fortemente no câmbio, por meio de compras de divisas pelo Banco Central, por exemplo. Em janeiro deste ano, o secretário do Tesouro, Arno Augustin, chegou a dizer que o País tinha um "câmbio sujo", já que o governo impedia a queda do dólar. Quanto mais forte o real, mais caros os produtos brasileiros lá fora.

Mas nesta quarta, ao perceber que o mercado ia na direção que o governo quer, de desvalorizar o real, o ministro da Fazenda disse que o câmbio, agora, segue as leis de mercado e não é utilizado para combater a inflação. "É flutuante e, neste momento, o câmbio de todos os países está desvalorizando em relação ao dólar. É um movimento internacional e não tem porque sermos diferente."

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