Galípolo: presidente do BC ressaltou que a atitude do Comitê de Política Econômica (Copom) foi mais conservadora (Lula Marques/Agência Brasil)
Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 11 de fevereiro de 2026 às 11h19.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta quarta-feira, 11, que a autoridade monetária realizará uma "calibragem" da taxa de juros a partir de março, mas reforçou que a atuação será pautada pela "serenidade".
"Vamos consumir os dados e encarar os dados com serenidade. Isso significa que o Banco Central está mais para um transatlântico do que para um jet ski. Ele não pode fazer grandes movimentos ou mudanças. Ele se move de maneira mais comedida e segura", disse durante painel na CEO Conference do BTG Pactual (do mesmo grupo controlador da EXAME).
Galípolo explicou que a decisão de sinalizar uma possível queda nos juros na última reunião ocorreu após dados mostrarem que a política monetária estava dando resultado, mas ressaltou que a atitude do Comitê de Política Econômica (Copom) foi mais conservadora.
"A atitude do Copom foi ser mais conservador e esperar 45 dias para que a gente possa iniciar esse ciclo com maior confiança. A gente vai consumir os dados e encarar os dados com serenidade", afirmou.
Quanto ao restante do ano, Galípolo não fez previsões e destacou que existem várias fontes de incertezas, como o cenário externo, especialmente nos Estados Unidos, e o ambiente político de um ano eleitoral no Brasil.
Atualmente, a taxa de juros está em 15% ao ano, e a expectativa majoritária do mercado é de que o ciclo comece com uma redução de 0,50 ponto percentual.
O presidente do BC afirmou que as eleições aumentam as incertezas, pois, dependendo dos desdobramentos, podem impactar as percepções e a precificação do mercado.
"E isso é incorporado com a mesma institucionalidade que já temos. Temos de ter serenidade para consumir tudo isso sem mudar a nossa função de reação, que segue a mesma", afirmou.
Ele também reforçou que a postura da autoridade monetária não será alterada pelos acontecimentos eleitorais, já que o BC observa os dados em um horizonte de 18 meses.
“Nossa visão é agnóstica e vamos responder dentro do ‘framework’ do que é a função do BC e da política monetária. Não vamos ficar mudando a nossa função de reação a cada pesquisa eleitoral que sair. Esse não é o papel que o BC deve desempenhar”, disse.