Economia

Fazenda propõe corte de dívida tributária, mas com condições

Segundo fonte, ministério propôs reduzir para R$ 25 bilhões a dívida total estimada em R$ 70 bilhões das multinacionais brasileiras


	Ministro da Fazenda, Guido Mantega: governo só aceitaria tal redução da dívida tributária que cobra pelos lucros no exterior se os valores fossem pagos à vista
 (Peter Foley/Bloomberg)

Ministro da Fazenda, Guido Mantega: governo só aceitaria tal redução da dívida tributária que cobra pelos lucros no exterior se os valores fossem pagos à vista (Peter Foley/Bloomberg)

DR

Da Redação

Publicado em 2 de setembro de 2013 às 22h39.

Brasília - O Ministério da Fazenda propôs reduzir para 25 bilhões de reais a dívida total estimada em 70 bilhões de reais das multinacionais brasileiras, em montante que inclui tributos supostamente não recolhidos por subsidiárias das empresas nacionais que operam no exterior, informou à Reuters um representante do setor privado envolvido nas negociações.

Mas o governo só aceitaria tal redução da dívida tributária que cobra pelos lucros no exterior se os valores fossem pagos à vista, acrescentou a fonte, pedindo para ficar no anonimato.

A proposta, segundo informou a fonte, foi feita nesta segunda-feira pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, às multinacionais brasileiras, e faz parte de um pacote de medidas da tributação do lucro das companhias obtidos no exterior que está em negociação na área econômica.

"O governo ofereceu a proposta de retirar as multas e os juros da dívida de cerca de 70 bilhões de reais que está em discussão, de forma que se as empresas decidirem pagar à vista, o valor cai para 25 bilhões de reais", afirmou.

O pagamento à vista ajudaria a engordar o caixa do governo e daria fôlego para o país cumprir o superávit primário em um momento de dificuldades de arrecadação por conta da fragilidade econômica.

A União também aceitaria parcelar o pagamento da dívida, mas com outras condições.

"A Fazenda também ofereceu uma proposta de pagamento da dívida em até 10 anos, mas com a cobrança de multas e juros, mas em nível menor do que o atual", disse a fonte.

Segundo a fonte, as empresas pediram prazo até novembro para decidir se aceitam pagar à vista ou de forma parcelada em até 10 anos.

A dívida bilionária sobre tributação de lucros obtidos no exterior é objeto de uma disputa judicial entre o governo brasileiro e as multinacionais brasileiras, entre elas a mineradora Vale, que sozinha enfrenta cobrança do governo de cerca de 30 bilhões de reais.

A mineradora e outras empresas contestam tais cobranças na Justiça. Em abril, o Supremo Tribunal Federal tomou decisões sobre o assunto que não encerraram a discussão jurídica, levando o tema de volta a instâncias judiciais inferiores.

Ainda de acordo com a fonte, a Fazenda aceitaria reduzir para 20 por cento a alíquota atual de 25 por cento do Imposto de Renda cobrado sobre o lucro das subsidiárias brasileiras no exterior.

Com as novas regras, o governo espera pôr fim ao embate judicial, deixando claras as regras sobre a tributação sobre lucros obtidos no exterior.

Em abril, a Reuters noticiou que o governo preparava um pacote de medidas para dar mais clareza à compensação de resultados de empresas no exterior.

Acompanhe tudo sobre:ImpostosLeãoDívidas empresariaisMinistério da FazendaSonegação fiscal

Mais de Economia

Boletim Focus: mercado reduz projeção do IPCA para 2026 pela 5ª vez consecutiva

Após ata, aposta por corte de 0,5 ponto na Selic em março ganha força

Carlos Antonio Rocca, fundador do Cemec-Fipe, morre aos 85 anos

R$ 88 bi do PIB e 640 mil empregos: os impactos do fim da escala 6x1