Eleições causam troca de comando na economia. O que isso significa?

Economistas notam que a escolha de nomes de perfil técnico, como Eduardo Guardia para a Fazenda, procuram preservar a área de turbulências

São Paulo - A economia brasileira está prestes a sofrer uma mudança importante de comando por causa das eleições.

Henrique Meirelles, atual ministro da Fazenda, deixará o cargo na próxima semana para se filiar ao MDB e tentar ser candidato a presidente.

No seu lugar deve entrar Eduardo Guardia, secretário-executivo da Fazenda desde junho de 2016 e uma espécie de vice de Meirelles até agora.

Ele é considerado um nome de perfil técnico e sua escolha teria sido parte de um acordo entre Temer e Meirelles para que o ministro se filiasse ao MDB.

"É uma excelente escolha. É um profissional muito experiente que provou seu conservadorismo fiscal, uma vantagem nas circunstâncias atuais em que a consolidação fiscal continua no topo da agenda", diz Alberto Ramos, economista-chefe para América Latina do Goldman Sachs.

Guardia bateu de frente, nos últimos meses, com os aliados do presidente ao buscar restringir as vantagens concedidas aos partidos aliados, principalmente nas negociações dos cinco Refis (parcelamento de débitos tributários).

Ele assumirá uma economia em franca aceleração, com previsão de crescimento um pouco abaixo dos 3% em 2018, mas com desemprego que resiste em altos patamares.

Outra mudança ocorre no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) com a saída do atual presidente Paulo Rabello de Castro, filiado ao PSC e que também vai tentar a Presidência.

O banco passará a ser comandado de forma interina por Ricardo Ramos, funcionário do banco desde 1993 e que dirige desde junho de 2016 a área de acompanhamento do mercado de capitais.

Uma fonte da Reuters afirma que seu nome será submetido ao conselho do BNDES em reunião extraordinária prevista para quinta-feira.

Economistas notam que a escolha de nomes já ligados à burocracia dos órgãos mostram a intenção de preservar a área de sobressaltos.

"Já era esperado que fossem indicações de perfil técnico. Como já está no preço que a reforma da previdência fica para 2019, não havia a necessidade de indicar um político para costurar a aprovação no Congresso", diz Alex Agostini, economista-chefe da Austin Ratings.

As mudanças também não devem mexer muito com o mercado financeiro, já que não trazem surpresas e não indicam mudanças relevantes.

"É provável que pelo menos até o final do ano a política econômica esteja resguardada. Isso é extremamente positivo em um momento em que a política começa a trazer turbulência e risco eleitoral crescente", diz Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados.

Apesar de ser considerado um nome técnico, a carreira de Guardia indica ligação histórica com o PSDB.

Ele foi secretário do Tesouro em 2002, último ano do governo Fernando Henrique Cardoso, e secretário de Fazenda do estado de São Paulo entre 2003 e 2006, no governo Geraldo Alckmin. Também tem passagem no setor privado: entre 2013 e 2016, foi diretor executivo na BM&FBovespa.

Seu principal desafio no comando da Fazenda será levar adiante a agenda de 15 medidas anunciada como prioritária pelo governo no final de fevereiro.

Os projetos de maior impacto são também os mais complexos de serem aprovados, como o fim da desoneração da folha de pagamento para a maior parte dos setores e a privatização da Eletrobras.

(com as agências Estadão Conteúdo e Reuters)

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