Economia

Copom baixa juros para 14,75% e faz primeiro corte em 2 anos

Decisão foi tomada em meio aos efeitos econômicos trazidos pela guerra do Irã

Banco Central: taxa Selic estava em 15% desde junho de 2025 (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Banco Central: taxa Selic estava em 15% desde junho de 2025 (Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

Rafael Balago
Rafael Balago

Repórter de internacional e economia

Publicado em 18 de março de 2026 às 18h36.

Última atualização em 18 de março de 2026 às 18h48.

O Comitê de Política Monetária (Copom) baixou a taxa Selic para 14,75% ao ano, uma queda de 0,25 ponto percentual. O anúncio foi feito no começo da noite desta quarta-feira, 18.

Esta foi a primeira redução da Selic desde maio de 2024. A taxa estava em 15% desde junho de 2025. De setembro de 2024 a junho de 2025, a taxa foi elevada sete vezes seguidas, mas não foi alterada nas quatro últimas reuniões.

A redução foi decidida em meio aos impactos da Guerra no Irã. O conflito levou a uma alta no preço do petróleo, que superou os US$ 100.

"O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais. Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities", diz o comunicado do Copom.

"Em relação ao cenário doméstico, o conjunto dos indicadores segue apresentando, conforme esperado, trajetória de moderação no crescimento da atividade econômica, enquanto o mercado de trabalho ainda mostra sinais de resiliência. Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e as medidas subjacentes seguiram apresentando algum arrefecimento, mas mantiveram-se acima da meta para a inflação", afirmou o comitê.

Na ata da reunião de janeiro, o Copom disse que pretendia começar a cortar a Selic em março. No entanto, o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã pôs em dúvida o tamanho do corte, com algumas instituições financeiras chegando a apostar no adiamento da redução dos juros.

Segundo a edição mais recente do boletim Focus, pesquisa semanal que ouve analistas do mercado financeiro, a expectativa era e que a taxa básica deve ser reduzida em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano. Antes do início do conflito, a expectativa estava num corte de 0,5 ponto.

Mais cedo nesta quarta, o Fed (banco central dos EUA) decidiu manter a taxa de juros no país, na faixa entre 3,5% e 3,75%.

O Copom reúne-se a cada 45 dias. No primeiro dia do encontro, são feitas apresentações técnicas sobre a evolução e as perspectivas das economias brasileira e mundial e o comportamento do mercado financeiro. No segundo dia, os membros do Copom, formado pela diretoria do BC, analisam as possibilidades e definem a Selic.

Na reunião atual, o Copom esteve desfalcado porque o mandato dos diretores de Organização do Sistema Financeiro, Renato Gomes, e de Política Econômica, Paulo Pichetti, expirou no fim de 2025. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva só encaminhará as indicações dos substitutos ao Congresso Nacional nas próximas semanas.

A importância da Taxa Selic

A taxa de juros Selic é a referência para os demais juros da economia. Trata-se da taxa média cobrada em negociações com títulos emitidos pelo Tesouro Nacional, registradas diariamente no Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic).

Uma vez definida a taxa Selic, o Banco Central atua diariamente por meio de operações de mercado aberto – comprando e vendendo títulos públicos federais – para manter a taxa de juros próxima ao valor definido na reunião.

A Selic serve também como referência para operações de crédito, como o financiamento de casas e carros e empréstimos para empresas. Assim, uma taxa mais baixa reduz o custo de financiamentos, o que estimula as pessoas e empresas a consumirem mais, aquecendo a economia.

Por outro lado, uma taxa mais alta ajuda a conter a demanda e, por consequência, a inflação. O Banco Central tem como meta manter a alta de preços dentro da meta, atualmente em 3% ao ano. A meta, no entanto, tem intervalo de tolerância, para a faixa entre 1,5% e 4,5%.

A prévia da inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA), acelerou para 0,7% em fevereiro, pressionada por gastos com educação. No entanto, recuou para 3,81% em 12 meses, abaixo dos 4% pela primeira vez desde maio de 2024.

Segundo o último boletim Focus, a estimativa de inflação para 2026 subiu de 3,8% para 4,1% por causa do conflito no Oriente Médio. Isso representa inflação pouco abaixo do teto da meta contínua estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 3%, podendo chegar a 4,5%, com o intervalo de tolerância de 1,5 ponto.

Meta contínua

Pelo sistema de meta contínua, em vigor desde janeiro de 2025, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC, definida pelo Conselho Monetário Nacional, é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 1,5% e o superior é 4,5%.

No modelo de meta contínua, a meta passa a ser apurada mês a mês, considerando a inflação acumulada em 12 meses. Em março de 2026, a inflação desde abril de 2025 é comparada com a meta e o intervalo de tolerância.

Em abril de 2026, o procedimento se repete, com apuração a partir de maio de 2025. Dessa forma, a verificação se desloca ao longo do tempo, não ficando mais restrita ao índice fechado de dezembro de cada ano.

No último Relatório de Política Monetária, divulgado no fim de dezembro pelo Banco Central, a autoridade monetária manteve a previsão de que o IPCA termine 2026 em 3,5%, mas a estimativa deve ser revista. A próxima edição do documento, que substituiu o Relatório de Inflação, será divulgada no fim de março.

Com Agência Brasil.

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