Repórter
Publicado em 30 de janeiro de 2026 às 18h19.
As contas públicas brasileiras fecharam 2025 com déficit primário de R$ 55,021 bilhões, equivalente a 0,43% do PIB (Produto Interno Bruto). O resultado reflete, principalmente, o desequilíbrio nas contas do governo federal, em que o crescimento das despesas superou o avanço da arrecadação. Os dados foram divulgados nesta sexta-feira, 30 de janeiro, pelo Banco Central.
Em comparação com 2024, o déficit primário do setor público consolidado – que inclui União, estados, municípios e estatais – aumentou. Naquele ano, o resultado negativo havia sido de R$ 47,553 bilhões (equivalente a 0,4% do PIB).
Apesar do déficit anual, dezembro registrou superávit de R$ 6,251 bilhões. O resultado primário considera a diferença entre receitas e despesas, desconsiderando o pagamento de juros da dívida.
A maior pressão no resultado veio do Governo Central, que teve déficit de R$ 58,687 bilhões em 2025, frente aos R$ 45,364 bilhões do ano anterior. O número diverge do divulgado nesta quinta-feira, 29, pelo Tesouro Nacional – que apontou déficit de R$ 61,69 bilhões – em razão das diferenças metodológicas. O Banco Central leva em conta a variação da dívida dos entes públicos.
Segundo o Tesouro, os gastos obrigatórios – como Previdência Social e o BPC (Benefício de Prestação Continuada) – impulsionaram o crescimento das despesas. Mesmo assim, a arrecadação atingiu recorde em 2025 e ajudou a conter um rombo maior. Em termos reais, a receita líquida cresceu 2,8% (R$ 64,3 bilhões), enquanto as despesas avançaram 3,4% (R$ 79,1 bilhões).
Estados e municípios amenizaram o déficit, com superávit conjunto de R$ 9,537 bilhões em 2025, acima dos R$ 5,885 bilhões registrados em 2024. Já as estatais – exceto Petrobras e Eletrobras – encerraram o ano com déficit de R$ 5,871 milhões, abaixo do resultado negativo de R$ 8,073 bilhões no ano anterior.
A despesa com juros da dívida pública alcançou R$ 1 trilhão em 2025, marcando o maior valor nominal da série histórica, segundo o Banco Central. Em 2024, o montante havia sido de R$ 950,423 bilhões. No entanto, o PIB nominal cresceu mais do que os gastos com juros, o que levou a uma leve queda relativa: de 8,07% para 7,91% do PIB.
A alta da taxa básica de juros, a Selic, fixada em 15% ao ano – maior patamar desde julho de 2006 – influenciou o aumento da conta de juros. Mesmo assim, operações com swap cambial feitas pelo BC geraram ganhos de R$ 105,9 bilhões, o que ajudou a reduzir o impacto nas despesas. Em 2024, essas mesmas operações haviam gerado perdas de R$ 115,9 bilhões.
Considerando o resultado primário somado aos gastos com juros, o déficit nominal das contas públicas atingiu R$ 1,062 trilhão em 2025, contra R$ 997,976 bilhões no ano anterior. Esse dado é usado por agências de classificação de risco para avaliar o grau de endividamento do país.
A dívida líquida do setor público fechou o ano em R$ 8,311 trilhões, correspondendo a 65,3% do PIB – o maior percentual já registrado na série histórica. Em 2024, o índice era de 61,3% (R$ 7,220 trilhões).
A alta foi influenciada pelo déficit nominal, pelos juros apropriados e pela valorização de 11,1% do dólar frente ao real. Como o país possui créditos em moeda estrangeira, a apreciação cambial elevou a dívida líquida em termos nominais.
Já a dívida bruta do governo geral (DBGG) chegou a R$ 10,017 trilhões, o equivalente a 78,7% do PIB. Em 2024, estava em R$ 8,984 trilhões, ou 76,3%. Esse indicador é utilizado para comparações internacionais de endividamento.
(Com informações da Agência Brasil)