Economia

China impõe tarifa provisória de 75% sobre importação de canola do Canadá

Medida é resposta a tarifas canadenses sobre veículos elétricos chineses e marca nova escalada na guerra comercial

Expectativa é de que a área plantada com canola cresça de 180.000 hectares em 2024 para 300.000 hectares em 2025, com potencial para ultrapassar 1 milhão de hectares até 2030 (3tentos/Divulgação)

Expectativa é de que a área plantada com canola cresça de 180.000 hectares em 2024 para 300.000 hectares em 2025, com potencial para ultrapassar 1 milhão de hectares até 2030 (3tentos/Divulgação)

Publicado em 13 de agosto de 2025 às 06h01.

A China anunciou a aplicação de uma tarifa antidumping provisória de 75,8% sobre as importações de canola canadense, em mais uma escalada na disputa comercial iniciada há um ano entre os dois países.

A medida tem previsão de entrar em vigor a partir desta quinta-feira, 14, segundo comunicado do Ministério do Comércio da China.

A canola canadense é o principal suprimento para a China, maior importadora mundial do produto, e a nova tarifa pode impossibilitar a continuidade das importações do país, de acordo com o Al Jazeera.

O anúncio provocou uma queda de 6,5% nos contratos futuros de canola na Intercontinental Exchange (ICE), atingindo o menor valor em quatro meses.

Impacto

O Ministério do Comércio chinês afirmou que uma investigação iniciada em setembro de 2024 constatou que o setor agrícola canadense, especialmente a indústria da canola, recebeu subsídios governamentais e políticas preferenciais que configuram dumping.

Apesar da decisão provisória, a China tem até setembro para definir uma tarifa final, podendo prorrogar o prazo por mais seis meses ou alterar a alíquota.

A disputa comercial teve início após o Canadá impor tarifas sobre veículos elétricos chineses em agosto de 2024. Desde então, a China já havia aplicado tarifas sobre óleo e farelo de canola canadense, e recentemente abriu investigação antidumping sobre outros produtos, como amido de ervilha e borracha butílica halogenada.

Analistas ouvidos pela Al Jazeera News acreditam que é difícil substituir a canola canadense no curto prazo, embora a Austrália, segunda maior exportadora, possa recuperar acesso ao mercado chinês em cargas de teste este ano após um longo congelamento comercial.

A canola é usada na China principalmente para ração animal, especialmente na aquicultura, e a alta tarifária deve aumentar a pressão sobre esse segmento.

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