Repórter de Brasil e Economia
Publicado em 26 de março de 2026 às 08h38.
Última atualização em 26 de março de 2026 às 08h44.
O Banco Central (BC) revisou nesta quinta-feira, 26, as projeções para a economia brasileira em 2026 e para os próximos anos.
Segundo o Relatório de Política Monetária, a estimativa para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, subiu para 3,9%.
No horizonte relevante de política monetária — hoje correspondente ao terceiro trimestre de 2027 —, a inflação projetada é de 3,3%, ainda acima da meta.
Depois, a trajetória volta a ser de queda, atingindo 3,1% no terceiro trimestre de 2028.
Na comparação com o relatório anterior, houve alta nas projeções. Entre os fatores de pressão estão o aumento do preço do petróleo e a revisão do hiato do produto, enquanto a valorização do câmbio e a leve queda nas expectativas ajudaram a conter parte desse movimento.
A inflação ao consumidor tem mostrado algum alívio recente, mas segue acima da meta de 3%. No acumulado em 12 meses, o IPCA recuou de 4,46% em novembro para 3,81% em fevereiro.
Ainda assim, os núcleos de inflação permanecem elevados, passando de 4,73% para 4,46% no mesmo período, enquanto a inflação de serviços continua pressionada, em um ambiente de mercado de trabalho aquecido.
A manutenção da projeção de crescimento reflete, segundo o BC, um desempenho do quarto trimestre de 2025 em linha com o esperado, além da preservação de um cenário de expansão moderada ao longo de 2026.
Apesar disso, houve mudanças na composição da atividade. O setor de serviços surpreendeu positivamente, enquanto a indústria e a demanda interna ficaram abaixo do previsto, o que levou a ajustes nas projeções de oferta e demanda para o próximo ano.
O BC também destaca que o cenário internacional adiciona incerteza. O recente conflito no Oriente Médio causado pela guerra no Irã pode pressionar a inflação e reduzir o ritmo de crescimento global e doméstico.
Segundo a autoridade monetária, choques desse tipo tendem a elevar a inflação e reduzir o crescimento econômico.Em síntese, o BC avalia que o prolongamento do conflito pode comprometer o fluxo de matérias-primas em regiões estratégicas, como o Estreito de Ormuz, elevando os preços de energia.
A transmissão desse choque para a inflação deve ocorrer de forma desigual entre países, a depender das regras de formação de preços.
Além disso, o impacto sobre a inflação e a atividade dependerá da duração e intensidade do conflito, bem como das respostas adotadas para mitigar os efeitos.
Há também o risco de impactos mais persistentes, caso o choque afete a capacidade de produção de energia ou leve a uma reorganização das cadeias globais de suprimento.