Vale a pena ter um plano odontológico?

Estudo da PROTESTE comparou 51 planos dentários pelo país; confira os mais bem avaliados e o que levar em conta na hora de contratar um serviço como este
O que mais pesa no valor mensal é a cobertura, por isso consumidor deve ficar atento para não pagar por serviços desnecessários (Pollyana Ventura/Getty Images)
O que mais pesa no valor mensal é a cobertura, por isso consumidor deve ficar atento para não pagar por serviços desnecessários (Pollyana Ventura/Getty Images)
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Da Redação

Publicado em 25/07/2022 às 09:00.

Última atualização em 25/07/2022 às 09:09.

Cuidar da saúde como um todo envolve também ir ao dentista regularmente, pelo menos uma vez ao ano. Porém, mais da metade dos brasileiros não tem cumprido essa recomendação, segundo o IBGE, seja pela falta de hábito, dificuldade de acesso ou pelos altos preços do atendimento particular. 

Os planos odontológicos estão no mercado exatamente com a proposta de solucionar essa questão, prometendo uma ampla rede de atendimento por mensalidades acessíveis

Mas será que compensa contratar um plano odontológico? De acordo com Thiago Silva, da PROTESTE - Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, a resposta é sim. 

“Ao optar pela contratação de um plano dentário, o consumidor se protege de um eventual imprevisto econômico, uma vez que pagar a mensalidade do plano certamente será mais em conta do que pagar o tratamento de forma particular”, explica o especialista.

Usando a planilha elaborada pela Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Odontológicos (CBHPO) de 2020, ele faz um cálculo: “Um consumidor que utilizasse uma consulta inicial, uma radiografia, uma aplicação de flúor e um tratamento de canal poderia desembolsar mais de R$ 500 em uma simples ida ao dentista”. 

“Esse valor pode ser 40% superior ao custo anual do plano que indicamos como Escolha Certa deste ano, por exemplo”, compara Silva, referindo-se ao estudo realizado pela PROTESTE sobre os planos no mercado hoje.

Melhores planos odontológicos

Todo ano, a PROTESTE faz uma avaliação dos serviços desse tipo oferecidos no país. Desta vez, foram checados 51 planos de 25 operadoras e, conforme a entidade, a maioria teve resultados positivos.

Para se chegar à nota final, foram levados em conta fatores como valor da mensalidade, coberturas, âmbito territorial, carências e opção de reembolso.

Foram considerados também o Índice Geral de Reclamação (IGR) e o Índice de Desempenho da Saúde Suplementar (IDSS), calculados pela Agência Nacional de Saúde (ANS). O IDSS está relacionado à qualidade de atenção à saúde, garantia de acesso, sustentabilidade do mercado e gestão de processo e regulação.

Veja os 12 planos odontológicos mais bem avaliados no teste comparativo de 2022:

Ranking dos planos odontológicos na avaliação anual da PROTESTE

(Proteste/Reprodução)

Cobertura x valor

Segundo a PROTESTE, o que mais interfere no custo mensal são as coberturas contratadas. Por isso, antes de optar por um plano, o consumidor deve conferir as coberturas e analisar quais realmente serão usadas, para não pagar por serviços que depois não farão sentido.

No levantamento, foi verificado se os planos ofereciam cobertura para 13 procedimentos. Entre os avaliados, 35% foram considerados bons, ao cobrir dez desses serviços.

Os serviços mais cobertos são consultas, cirurgias orais, obturações, tratamento de canal, prevenção e radiologias, enquanto que tratamentos mais complexos – de estética e ortodontia, por exemplo – geralmente não entram na lista.

Para encontrar a melhor relação entre custo e cobertura, a associação sugere definir o que é essencial, seguido de uma boa pesquisa de preços, porque os valores variam bastante.

O Metlife/Sorria Mais Total Estético, por exemplo, sai a R$ 219,90 por mês. Já o PROTESTE/Inpao Dental, indicado como Escolha Certa de 2022, custa R$ 28,98 mensais, uma diferença de R$ 2.291,04 ao ano.

Região de atendimento

Outro ponto de atenção, de acordo com Silva, é o âmbito territorial, ou seja, que locais são atendidos pelo plano. “Quanto maior a rede credenciada maior o custo final da mensalidade”, ressalta. 

Qual é a melhor opção depende da demanda do cliente, para que ele não fique sem atendimento se estiver em um local diferente do seu domicílio nem pague sem necessidade por uma rede que não vai usar, caso não tenha o costume de viajar. 

No estudo, os planos com maior abrangência geográfica tiveram as melhores avaliações. Entretanto, a maioria da amostra, 47%, garantia cobertura em grupos de municípios, sendo classificados como aceitáveis (exceto o Metlife/Sorria Mais Total Estético, conceituado como muito ruim por oferecer cobertura municipal apenas).

Prazo de carência

Também foram checados os prazos de carência para determinadas coberturas. Os planos que não exigiam carência ou tinham o menor prazo receberam as melhores avaliações. 

Para consulta, somente alguns da Dental Uni – como o Elite, eleito melhor do ano no teste –, Unidonto (Campinas, Maceió, Manaus e São José dos Campos), Sorriden e Unimed Saúde Odonto não exigiram os prazos e foram considerados muito bons.

O especialista da PROTESTE destaca que essa é mais uma questão relevante para ser observada pelo consumidor. Alguns avaliados cobravam 90 dias ou mais de carência para tratamento de canal, por exemplo.

A associação lembra, porém, que a lei garante, em caso de urgência e emergência, que o cliente seja atendido após 24 horas da contratação do plano, bastando apenas informar o número da Proposta de Adesão.

Sem reembolso

Na análise, o reembolso das despesas dos tratamentos feitos fora da rede foi outro quesito examinado: o levantamento não encontrou nenhum que oferecesse o benefício, sendo todos tidos como muito ruins nesse critério.

E planos com coparticipação, compensam?

De acordo com Thiago Silva, é preciso cuidado com os planos coparticipativos, nos quais o beneficiário paga por determinados procedimentos, além da mensalidade. Atrativos inicialmente, já que têm mensalidades mais baratas, essa modalidade pode se tornar uma armadilha. 

“Estes planos não são vantajosos. Ao utilizá-lo com frequência, o custo final do plano pode surpreender negativamente o consumidor no fim do mês”, diz.

Como essa é uma situação desfavorável para o consumidor, os planos que exigiam coparticipação foram considerados ruins.

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