10 golpes virtuais para ficar atento

As tentativas de fraudes financeiras pela internet só crescem. Veja como se proteger
Mais de 150 milhões de brasileiros já foram vítimas de fraudes virtuais, segundo estimativas da PSafe, empresa especializada em cibersegurança (Ivan Pantic/Getty Images)
Mais de 150 milhões de brasileiros já foram vítimas de fraudes virtuais, segundo estimativas da PSafe, empresa especializada em cibersegurança (Ivan Pantic/Getty Images)
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Da Redação

Publicado em 29/07/2022 às 10:00.

Última atualização em 29/07/2022 às 10:11.

Mais de 150 milhões de brasileiros já foram vítimas de fraudes virtuais, segundo estimativas da PSafe, empresa especializada em cibersegurança. Somente as soluções de segurança da companhia bloquearam mais de 3,4 milhões de tentativas de golpes financeiros no Brasil de janeiro a maio deste ano. Isso corresponde a uma média de 22,5 mil detecções por dia, mais de 930 por hora e 15 por minuto. É fato: os golpes estão aí, só aumentam, e é mais importante que nunca ter conhecimento sobre eles para saber se proteger. 

“A quantidade e qualidade dos golpes virtuais hoje em dia só aumenta, e eles podem ser dos mais diversos tipos. Podem começar como uma ligação, uma mensagem de WhatsApp, a utilização de algum site ou aplicativo fraudulento ou, até mesmo, de marketing de alguma rede social”, alerta Thiago Silva, especialista da PROTESTE, associação de defesa do consumidor.

Um ponto importante, diz Silva, é o consumidor entender quais dados pessoais são aceitáveis de serem pedidos e quais não são, seja por uma instituição financeira ou uma loja da qual é cliente. O especialista alerta que alguns dados nunca devem ser fornecidos por WhatsApp ou telefone. São eles: 

  • Informações pessoais como CPF, RG e endereço
  • Senhas de forma geral
  • Código de segurança do cartão
  • Algum código de verificação que venha por SMS ou e-mail

“Além disso, o consumidor deve sempre procurar pelas instituições caso queira alguma informação adicional, pois existe muito fraudador se passando por atendente de banco ou similares e sites, que possuem todo o layout de alguma página conhecida, mas são fraudulentos”, explica. 

Entre as dicas de Silva para se proteger de golpes virtuais estão a utilização da senha de dois fatores para ter uma segurança adicional, optar pelo cartão virtual em compras online, ter um cuidado adicional com os dados pessoais, documentar toda negociação com “print screen” e ter cautela redobrada com transferências bancárias. “Existem golpes em que algum conhecido entra em contato via WhatsApp ou por alguma rede social pedindo dinheiro emprestado, porém, pode ser que não seja a pessoa e sim um fraudador”, alerta o especialista. “Nesse caso, é melhor entrar em contato por ligação antes de atender algum pedido de envio de dinheiro.”

Vale lembrar que dificilmente o consumidor será ressarcido caso sofra um golpe virtual. “A responsabilidade de ressarcimento em casos de golpes virtuais é, em regra, das pessoas que os praticam. É preciso, entretanto, entender que o surgimento e aprimoramento da prática está vinculada à uma rede complexa de interação, que é a internet. Através dela, cada vez mais são vistas oportunidades de impacto nos consumidores, o que dificulta aferir com precisão a responsabilidade da instituição financeira nos casos de golpes, cada vez mais diversificados”, explica Adriano Fonseca, especialista da PROTESTE. “De certa forma, entende-se que se o caminho pelo qual o golpista chegou ao consumidor se deu por meio de vazamento de dados da instituição financeira, falha na segurança da prestação do serviço ou alguma outra inobservância do dever de cuidado, e é possível exigir a reparação integral dos dados contra o banco. No entanto, existem também os casos em que o consumidor é impactado através de anúncios e links falsos, em que a disponibilização dos dados ocorre por parte do próprio consumidor, que não sabe que está caindo em uma fraude.”

Embora nesta última situação a responsabilidade das instituições possa ser afastada por culpa exclusiva do consumidor, Fonseca recomenda, ainda assim, que a pessoa que sofreu o golpe tente desfazer a transação e reaver os valores amigavelmente através de comunicação com as instituições financeiras. “A depender do tempo entre a efetivação do pagamento e a comunicação, as empresas conseguem cancelar o pagamento feito”, diz. 

Em todo caso, continua o especialista, o consumidor precisa registrar sempre o mais rápido possível uma ocorrência em uma delegacia de polícia, de preferência especializada em crimes virtuais, para que possa apresentar o documento à instituição e aumentar as chances de reembolso amigável.

Conheça, abaixo, os 10 golpes virtuais mais comuns, em um levantamento feito pela PROTESTE. 

  1. Perfil falso no WhatsApp: Nesse tipo de crime, são criados perfis falsos no WhatsApp. Os criminosos se passam por uma pessoa, enviam mensagens para seus amigos e familiares pedindo dinheiro. Para se proteger, desconfie quando a foto do perfil estiver vinculada a um número desconhecido. Na dúvida, ligue para a pessoa para confirmar a informação.

  2. Perfil falso nas redes sociais: Perfis falsos de empresas como hotéis e restaurantes anunciam sorteios de almoços ou diárias grátis para conquistar seguidores. Esses, por sua vez, fornecem seus dados para a participação no sorteio. Para se proteger, desconfie quando algo for oferecido de graça e verifique a veracidade da informação entrando em contato com o estabelecimento por meio de canais oficiais.

  3. Falso emprego: Aqui a vítima recebe mensagens do suposto empregador sugerindo clicar em um link para saber mais sobre a vaga. É aí que a pessoa tem seus dados capturados. Existe, ainda, pedido falso de pagamento para participação em processos seletivos.

  4. Link falso: Os links falsos são usados não somente em falsas vagas de emprego, mas de diversas formas. Os criminosos podem dizer, por exemplo, que é preciso clicar em um determinado link para resgatar um prêmio ou para resolver uma pendência bancária. Jamais confie em links que chegam até você, por mais que o e-mail pareça de origem confiável. Sempre verifique entrando em contato diretamente com a instituição.

  5. Falso empréstimo: Aqui os criminosos se passam por instituições financeiras em redes sociais com ofertas de crédito tentadoras. Desconfie quando a oferta é boa demais e verifique as informações com o banco.

  6. Troca de cartão: Em uma ligação, o criminoso, fingindo ser um funcionário da empresa do cartão de crédito, alerta sobre uma compra duvidosa, sugere o cancelamento do cartão e solicita dados pessoais e senha. Na sequência, informa que um funcionário do banco irá retirar o cartão para efetuar a troca. Nunca forneça dados por telefone e não entregue o cartão de crédito a desconhecidos.

  7. Clonagem do WhatsApp: Nesse caso o criminoso finge ser de uma empresa de pesquisa ou loja e solicita um código de verificação do WhatsApp, enviado por SMS. Com essa chave, o WhatsApp é clonado. Para se proteger, no próprio aplicativo do WhatsApp, vá em “configurações” e, depois, em “conta”. Escolha “confirmação em duas etapas” e habilite a senha. Isso dificulta a clonagem.

  8. Pix: Fingindo ser o funcionário do banco, o criminoso oferece ajuda para cadastro da chave Pix. São muitas as variações de golpes envolvendo esse meio de pagamento, então a recomendação é sempre verificar a identidade de quem está solicitando os dados.

  9. Central telefônica: O criminoso diz ser funcionário da central antifraude do banco, informa sobre transações suspeitas e passa um endereço de site falso, semelhante ao do banco. Quando a vítima clica no link para supostamente resolver o problema, tem os dados capturados.

  10. QR Code: Nesse tipo de golpe, a leitura do QR Code direciona a vítima para páginas mal-intencionadas. Para se proteger, lembre-se de analisar a URL do site que foi carregado após a leitura do código.