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Xingar faz bem? Ciência explica relação de palavrões com a saúde

Psicólogos analisaram efeitos dos xingamentos sobre humor, confiança e concentração

 (Getty Images/Divulgação)

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Publicado em 22 de dezembro de 2025 às 06h36.

Última atualização em 22 de dezembro de 2025 às 06h45.

O uso de palavrões pode gerar benefícios físicos e psicológicos mensuráveis, segundo um estudo publicado no periódico científico American Psychologist. A pesquisa mostra que expressar xingamentos em momentos específicos pode aumentar a resistência durante exercícios, melhorar o humor e elevar a autoconfiança, sem o uso de substâncias ou estímulos externos.

A análise foi conduzida por Richard Stephens, psicólogo da Universidade de Keele, no Reino Unido, que se dedica à investigação da relação entre linguagem emocional e desempenho. Segundo o pesquisador, o uso controlado de palavrões pode reduzir a autocensura e aumentar a disposição para o esforço máximo em tarefas fisicamente exigentes.

Palavrões, foco e estado de fluxo

No experimento mais recente, 192 voluntários realizaram flexões de braço em uma cadeira enquanto repetiam, a cada dois segundos, um palavrão de escolha própria ou uma palavra neutra. Após o exercício, os participantes responderam a questionários sobre humor, distração, desinibição, autoconfiança e estado emocional.

Os resultados mostraram que os participantes que utilizaram palavrões conseguiram sustentar o exercício por um período significativamente maior do que aqueles que repetiram palavras neutras. Além disso, relataram maior sensação de concentração e de controle da atividade, características associadas ao chamado “estado de fluxo psicológico”, quando a atenção está totalmente direcionada à tarefa.

Pesquisas anteriores do mesmo grupo já haviam identificado efeitos semelhantes em testes como resistência à dor em água gelada e sustentação do peso corporal. A consistência dos resultados reforça a hipótese de que palavrões funcionam como um estímulo psicológico que reduz distrações e aumenta a disposição ao esforço.

De acordo com Stephens, xingar atua como um recurso acessível e imediato para elevar o desempenho. O pesquisador descreve o mecanismo como uma ferramenta de baixo custo, sem impacto físico direto, capaz de influenciar positivamente a autoconfiança e o foco em momentos de exigência máxima.

Os autores destacam que os efeitos podem ter aplicações em áreas como treinamento esportivo, reabilitação física e situações cotidianas que demandam mais ousadia ou resistência. Ainda assim, o estudo ressalta que os benefícios estão ligados ao contexto e ao uso pontual da linguagem.

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