Redatora
Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 06h00.
Ursos são frequentemente citados como exemplo de animal que hiberna durante o inverno, mas a ciência explica que o comportamento não é exatamente o mesmo observado em espécies como esquilos, morcegos e gambás. Em vez de uma hibernação profunda, a maioria dos ursos entra em um estado de economia de energia chamado torpor, que permite sobreviver por meses com pouca atividade e sem se alimentar.
A explicação foi detalhada em um texto publicado pela revista norte-americana Popular Science, que diferencia o torpor da hibernação tradicional e mostra como essa adaptação pode até inspirar pesquisas médicas voltadas a humanos.
A hibernação é um estado voluntário em que alguns animais entram devido a fatores ambientais, como a redução da duração do dia e a queda de temperatura. Nesse processo, o corpo reduz de forma extrema funções como batimentos cardíacos, respiração e temperatura corporal, chegando perto do nível do ambiente externo.
Os ursos, porém, seguem outra estratégia. Eles entram em torpor, um modo de baixa energia associado principalmente à escassez de alimento. Nesse estado, a queda da temperatura corporal é menor do que na hibernação profunda, e os batimentos cardíacos também diminuem, mas sem chegar aos níveis radicais vistos em pequenos mamíferos.
Diante disso, o estudo destaca que o torpor em ursos costuma ser contínuo, sem o padrão clássico de despertares frequentes observado em espécies que hibernam de forma profunda.
Durante o torpor, ursos dependem de reservas de gordura acumuladas antes do frio. Esse estoque pode representar uma parcela significativa do peso corporal e sustenta o animal por meses, período em que funções como alimentação, ingestão de água e eliminação de urina ficam reduzidas ou cessam.
Mesmo com a atividade muito baixa, os ursos não ficam completamente imóveis. A pesquisa cita que eles mudam de posição dentro da toca ao longo do inverno, o que pode ajudar a evitar feridas por pressão e melhorar a conservação de calor.
Outro ponto destacado é que, apesar do longo período de inatividade, os ursos conseguem manter força e massa muscular, algo que chama atenção de pesquisadores.
A Popular Science explica que o torpor é mais comum em ursos pretos e pardos, em grande parte por causa da dieta: eles são onívoros e consomem grande quantidade de vegetação, que desaparece em muitas regiões durante o inverno.
Já espécies que vivem em locais onde há alimento disponível o ano todo tendem a não entrar nesse estado. Os ursos de regiões mais quentes, como o urso-malaio e o urso-de-óculos, além de apontar que o tempo em torpor pode variar bastante conforme o clima, como ocorre no Alasca.
O material também cita que a maioria dos ursos polares permanece ativa no inverno, já que a principal fonte de alimento segue disponível na estação. Já as fêmeas grávidas entram em torpor para dar à luz.
Em cativeiro, por sua vez, a alimentação constante faz com que muitos ursos não passem por esse processo.