A maior tempestade de radiação solar desde 2003 atinge a Terra (Getty Images)
Redatora
Publicado em 23 de janeiro de 2026 às 06h52.
A Terra foi atingida por uma tempestade de radiação solar classificada como S4, a mais intensa desde 2003, segundo o Centro de Previsão do Clima Espacial da NOAA. O evento ocorreu na última segunda-feira, 19, e foi considerado severo para operações espaciais, mas sem risco para a população na superfície.
O fenômeno coincidiu com uma tempestade geomagnética forte, que gerou auroras em diversas regiões do mundo. Já o evento de radiação, embora menos visível, foi considerada historicamente significativa pelos especialistas, como destacou o portal Space.
As tempestades de radiação solar ocorrem quando erupções magnéticas no Sol aceleram partículas carregadas, principalmente prótons, a velocidades próximas à da luz. Essas partículas podem percorrer os cerca de 150 milhões de quilômetros entre o Sol e a Terra em minutos ou dezenas de minutos.
Ao chegar ao planeta, os fragmentos mais energéticos atravessam o campo magnético e viajam ao longo das linhas de campo em direção aos polos, onde interagem com a alta atmosfera.
A NOAA classifica essas tempestades de S1 (menor) a S5 (extrema). O evento de 19 de janeiro atingiu S4, nível severo, superando as tempestades conhecidas como “Halloween” de 2003.
Embora a radiação não atinja a superfície, a tempestade aumenta a exposição de astronautas e tripulações de voos comerciais em rotas polares. Satélites também podem sofrer interferências, degradação de instrumentos e interrupções temporárias na coleta de dados devido ao fluxo de partículas.
Meteorologistas espaciais registraram falhas temporárias em sensores durante o evento, associadas ao aumento de prótons de alta energia.
A atmosfera e o campo magnético da Terra funcionam como escudos naturais que absorvem a radiação antes que ela alcance o solo. Especialistas destacaram que o episódio não foi um evento ao nível do solo, categoria na qual partículas chegam com energia suficiente para serem detectadas na superfície terrestre.
O espectro de partículas foi descrito como intenso, porém sem as energias extremas necessárias para atravessar a barreira atmosférica, segundo o Centro de Previsão do Clima Espacial.
Embora parecidos, as tempestades de radiação solar e de geomagnéticas são fenômenos distintos. A primeira resulta da chegada de partículas de alta velocidade. A segunda ocorre quando perturbações no vento solar interagem com o campo magnético terrestre.
Os eventos geomagnéticos podem gerar auroras e provocar distúrbios em sistemas de comunicação, navegação e energia. Já as tempestades de radiação, por outro lado, afetam principalmente satélites e missões espaciais.