Ciência

Seu gato sabe quem você é — mas talvez não ligue pra isso

Estudo japonês mostra que felinos distinguem donos de estranhos pelo olfato e ativam áreas diferentes do cérebro ao farejar humanos

Gatos: cientistas descobrem que eles realmente te ignoram ( EyeEm/Freepik)

Gatos: cientistas descobrem que eles realmente te ignoram ( EyeEm/Freepik)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 10h51.

Pesquisadores da Universidade de Agricultura de Tóquio descobriram que os gatos domésticos usam o cheiro para identificar seus donos e adotam comportamentos específicos ao entrar em contato com o odor de pessoas desconhecidas. Os resultados foram publicados em maio de 2025 na revista PLOS One.

O experimento reuniu 30 gatos e comparou suas reações a três tipos de amostras: odores corporais de seus tutores, odores de estranhos e um controle sem cheiro. As amostras foram coletadas de áreas como axilas, orelhas e entre os dedos dos pés.

Os gatos cheiravam os tubos contendo os odores, enquanto os cientistas observavam o tempo de exposição e qual narina era utilizada primeiro. Os dados mostraram que os animais passavam o dobro do tempo farejando amostras de pessoas desconhecidas e, nesses casos, preferiam a narina direita.

Olfato e cérebro: um padrão cerebral conhecido

O uso predominante da narina direita está associado ao hemisfério cerebral direito, responsável por processar estímulos novos em diversas espécies, incluindo cães, aves e peixes. Já a narina esquerda, ligada ao hemisfério esquerdo, tende a ser usada para estímulos familiares ou rotineiros.

Para os autores do estudo, isso indica que o olfato tem um papel importante no reconhecimento de humanos por gatos, mas ainda não é possível afirmar que seja o principal canal de identificação.

Comportamento muda com a personalidade

O estudo também avaliou o impacto da personalidade felina nas reações ao cheiro. Os tutores responderam a um teste baseado no método Feline Five, que classifica os gatos em traços como neuroticismo, afabilidade e extroversão.

Entre os machos, os animais mais ansiosos e desconfiados — classificados como neuroticos — voltavam repetidamente aos tubos de cheiro. Já os mais amigáveis e tranquilos mostravam menos interesse após a primeira cheirada. Nas fêmeas, não houve variações comportamentais detectáveis.

O teste Feline Five, criado em 2017 com base em um levantamento com 3 mil gatos na Austrália e Nova Zelândia, é usado para orientar práticas de bem-estar animal em casa.

Reconhecem, mas nem sempre se importam

Mesmo com evidências de que identificam seus tutores pelo cheiro, os gatos continuam sendo animais independentes e socialmente distintos dos cães. Estudos anteriores já indicaram que eles não criam vínculos de apego no mesmo formato que os cachorros.

Ou seja, seu gato pode saber exatamente quem você é — e, ainda assim, decidir não se levantar do sofá quando você chama.

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