Pesquisadores da Universidade de Agricultura de Tóquio descobriram que os gatos domésticos usam o cheiro para identificar seus donos e adotam comportamentos específicos ao entrar em contato com o odor de pessoas desconhecidas. Os resultados foram publicados em maio de 2025 na revista PLOS One.
O experimento reuniu 30 gatos e comparou suas reações a três tipos de amostras: odores corporais de seus tutores, odores de estranhos e um controle sem cheiro. As amostras foram coletadas de áreas como axilas, orelhas e entre os dedos dos pés.
Os gatos cheiravam os tubos contendo os odores, enquanto os cientistas observavam o tempo de exposição e qual narina era utilizada primeiro. Os dados mostraram que os animais passavam o dobro do tempo farejando amostras de pessoas desconhecidas e, nesses casos, preferiam a narina direita.
Olfato e cérebro: um padrão cerebral conhecido
O uso predominante da narina direita está associado ao hemisfério cerebral direito, responsável por processar estímulos novos em diversas espécies, incluindo cães, aves e peixes. Já a narina esquerda, ligada ao hemisfério esquerdo, tende a ser usada para estímulos familiares ou rotineiros.
Para os autores do estudo, isso indica que o olfato tem um papel importante no reconhecimento de humanos por gatos, mas ainda não é possível afirmar que seja o principal canal de identificação.
Comportamento muda com a personalidade
O estudo também avaliou o impacto da personalidade felina nas reações ao cheiro. Os tutores responderam a um teste baseado no método Feline Five, que classifica os gatos em traços como neuroticismo, afabilidade e extroversão.
Entre os machos, os animais mais ansiosos e desconfiados — classificados como neuroticos — voltavam repetidamente aos tubos de cheiro. Já os mais amigáveis e tranquilos mostravam menos interesse após a primeira cheirada. Nas fêmeas, não houve variações comportamentais detectáveis.
O teste Feline Five, criado em 2017 com base em um levantamento com 3 mil gatos na Austrália e Nova Zelândia, é usado para orientar práticas de bem-estar animal em casa.
Reconhecem, mas nem sempre se importam
Mesmo com evidências de que identificam seus tutores pelo cheiro, os gatos continuam sendo animais independentes e socialmente distintos dos cães. Estudos anteriores já indicaram que eles não criam vínculos de apego no mesmo formato que os cachorros.
Ou seja, seu gato pode saber exatamente quem você é — e, ainda assim, decidir não se levantar do sofá quando você chama.
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