"Sair até pode, mas..." O que Atila Iamarino acha da nova fase da covid-19

Para dar a recomendação de como sair com cuidado, Iamarino usou como base uma orientação da Associação Médica do Texas

A última transmissão ao vivo do doutor em microbiologia e divulgador científico, Atila Iamarino, causou ainda mais interações na internet. Iamarino, que até poucos meses atrás era defensor de um distanciamento social extremo, anunciou em seu canal do YouTube que, agora, é possível sair de casa apesar do novo coronavírus --- mas com moderação. Não é como se você pudesse fazer um churrasco, sem máscaras e alcóol em gel, mas sim respeitando o máximo das recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e evitando locais que podem causar maior circulação do vírus, como bares e cultos religiosos.

Para dar a recomendação de sair com cuidado, Iamarino usou como base uma orientação da Associação Médica do Texas, nos Estados Unidos.

Além de shows lotados (um local até óbvio de contágio pela covid-19), bares, cultos religiosos com mais de 500 pessoas e academias também representam um alto risco para as pessoas. Ir ao shopping, por exemplo, é uma atividade que tem um risco médio de contágio. Já outras tarefas do dia a dia, como receber encomendas, fazer caminhadas ou corridas e abastecer o tanque do carro apresentam riscos menores.

Para Iamarino, no Brasil, "abrimos mais as situações de baixo risco". "Mas, conforme os casos vão caindo, a gente começa a partir para os riscos maiores. E, com os riscos maiores abrindo, temos mais vírus circulando. Daqui para frente vamos ver a abertura não necessariamente segura de mais espaços", afirmou ele. Iamarino identifica que as opções mais arriscadas, como ir à academia ou ao cinema, podem ser evitadas ou adaptadas de forma a lidar melhor com a pandemia e diminuir o risco de contágio.

"Não tem mais economia que aguente todo mundo trancado em casa. O vírus continua aí, vai continuar sendo um problema, apesar das vacinas por algum tempo, com vacinas que funcionem muito bem por um ou dois anos mais ou menos e, se as vacinas não funcionarem, por mais tempo ainda", continuou Iamarino. "Então vale a gente começar a focar nas atividades mais seguras e prioritárias", explica. As dicas do doutor em microbiologia é que a exposição, caso necessária, seja realizada em locais mais abertos, com mais circulação e em tempo reduzido. Outra dica necessária, para ele, é o uso de máscaras.

Um estudo feito por pesquisadores australianos, publicado na revista científica Thorax, por exemplo, indica que as máscaras de apenas uma camada de tecido reduziram um pouco as gotas de saliva expelidas durante a fala, enquanto a opção com duas camadas se mostrou mais eficaz na proteção. Já a máscara com três camadas pode ser ainda mais eficaz do que as outras duas, apesar de não ter sido testada.

Uma versão com 12 camadas de pano, segundo um outro estudo publicado na revista científica The Lancet, é tão eficaz quanto a cirúrgica. Mas é claro que costurar tantas camadas é uma tarefa mais complicada do que deveria ser.

Apesar disso, os pesquisadores reforçam que usar uma máscara com apenas uma camada é melhor do que não usar nenhuma.

Escala de risco de contrair covid-19

Escala de risco de contrair covid-19 (Arte/Exame)

Quem terá prioridade para tomar a vacina?

Nenhuma vacina contra a covid-19 foi aprovada ainda, mas os países estão correndo para entender melhor qual será a ordem de prioridade para a população uma vez que a proteção chegar ao mercado. Um grupo de especialistas nos Estados Unidos, por exemplo, divulgou em setembro uma lista de recomendações que podem dar uma luz a como deve acontecer a campanha de vacinação.

Segundo o relatório dos especialistas americanos (ainda em rascunho), na primeira fase deverão ser vacinados profissionais de alto risco na área da saúde, socorristas, depois pessoas de todas as idades com problemas prévios de saúde e condições que as coloquem em alto risco e idosos que morem em locais lotados.

Na segunda fase, a vacinação deve ocorrer em trabalhadores essenciais com alto risco de exposição à doença, professores e demais profissionais da área de educação, pessoas com doenças prévias de risco médio, adultos mais velhos não inclusos na primeira fase, pessoas em situação de rua que passam as noites em abrigos, indivíduos em prisões e profissionais que atuam nas áreas.

A terceira fase deve ter como foco jovens, crianças e trabalhadores essenciais que não foram incluídos nas duas primeiras. É somente na quarta e última fase que toda a população será vacinada.

Quão eficaz uma vacina precisa ser?

Segundo uma pesquisa publicada no jornal científico American Journal of Preventive Medicine uma vacina precisa ter 80% de eficácia para colocar um ponto final à pandemia. Para evitar que outras aconteçam, a prevenção precisa ser 70% eficaz.

Uma vacina com uma taxa de eficácia menor, de 60% a 80% pode, inclusive, reduzir a necessidade por outras medidas para evitar a transmissão do vírus, como o distanciamento social. Mas não é tão simples assim.

Isso porque a eficácia de uma vacina é diretamente proporcional à quantidade de pessoas que a tomam, ou seja, se 75% da população for vacinada, a proteção precisa ser 70% capaz de prevenir uma infecção para evitar futuras pandemias e 80% eficaz para acabar com o surto de uma doença.

As perspectivas mudam se apenas 60% das pessoas receberem a vacinação, e a eficácia precisa ser de 100% para conseguir acabar com uma pandemia que já estiver acontecendo — como a da covid-19.

Isso indica que a vida pode não voltar ao “normal” assim que, finalmente, uma vacina passar por todas as fases de testes clínicos e for aprovada e pode demorar até que 75% da população mundial esteja vacinada.

Os tipos de vacina disponíveis

Alguns tipos de vacina têm sido testados para a luta contra o vírus. Uma delas é a de vírus inativado, que consiste em uma fabricação menos forte em termos de resposta imunológica, uma vez que nosso sistema imune responde melhor ao vírus ativo. Por isso, vacinas do tipo têm um tempo de duração um pouco menor do que o restante e, geralmente, uma pessoa que recebe essa proteção precisa de outras doses para se tornar realmente imune às doenças. É o caso da Vacina Tríplice (DPT), contra difteria, coqueluche e tétano. A vacina da Sinovac, por exemplo, segue esse padrão.

Outro tipo de vacina é a de Oxford, feita com base em adenovírus de chimpanzés (grupo de vírus que causam problemas respiratórios), e contendo espículas do novo coronavírus.

As outras vacinas em fases clínicas já avançadas também são baseadas em espículas, mas apresentadas em forma de RNA mensageiro, como as da Pfizer e da Moderna.

Como estão as 10 potenciais?

Sinovac Biotech: a vacina chinesa que começou os testes em fase 3 no Brasil na última segunda-feira, 20, pretende fabricar até 100 milhões de doses anuais. Por aqui, 9 mil profissionais da área da saúde receberão a vacina.

Sinopharm (Wuhan e Pequim): a vacina com base em vírus inativado, que se mostrou capaz de produzir resposta imune ao vírus, começou as fases 3 de testes neste mês nos Emirados Árabes Unidos. Cerca de 15 mil voluntários participaram do período de testes e a empresa chinesa acredita que a opção estará disponível para o público já no final do ano.

Oxford e AstraZeneca: os resultados preliminares das fases 1 e 2 da vacina com mais de mil pessoas mostraram que ela foi capaz de induzir uma resposta imune à doença. As fases dois (que ainda está ocorrendo no Reino Unido) e três de testes (acontecendo no Reino Unido, Brasil e África do Sul) devem garantir a eficácia completa dela. A opção é tida como a mais promissora pela OMS.

Moderna: a empresa americana iniciou última fase de testes de sua vacina baseada no RNA mensageiro no dia 27 de julho. O teste vai incluir 30 mil pessoas nos Estados Unidos e o governo investiu pesado: cerca de 1 bilhão de dólares para apoiar a pesquisa. A expectativa da empresa é produzir 500 milhões de doses por ano.

Pfizer e BioNTech: a vacina agora também está na fase três de testes e também usa o RNA mensageiro, que tem como objetivo produzir as proteínas antivirais no corpo do indivíduo. A expectativa é testar a vacina em aproximadamente 30.000 voluntários com idades entre 18 e 85 anos no mundo. Desse total, 1.000 serão testados no Brasil. Se tudo der certo, a expectativa é que a eficácia da vacina seja comprovada até o outubro. A empresa espera produzir até 100 milhões de doses até o fim do ano. Outras 1,3 bilhão de doses podem ser fabricadas no ano que vem.

Instituto Gamaleya: em 11 de agosto a Rússia registrou a primeira vacina do mundo contra a covid-19. A vacina russa é baseada no adenovírus humano fundido com a espícula de proteína em formato de coroa que dá nome ao coronavírus e é por meio dessa espícula de proteína que o vírus se prende às células humanas e injeta seu material genético para se replicar até causar a apoptose, a morte celular, e, então, partir para a próxima vítima. Na última segunda-feira, 31, o país anunciou que o primeiro lote de sua vacina, a “Sputnik V”, estará disponível já neste mês.

Pesquisa aponta que uma vacina precisa ter 80% de eficácia para colocar um ponto final à pandemia

CanSino: a vacina chinesa usa um vírus inofensivo do resfriado conhecido como adenovírus de tipo 5 (Ad5) para transportar material genético do coronavírus para o corpo e, segundo a companhia, conseguiu induzir uma resposta imune nos indivíduos que foram testados. No começo de agosto, a China concedeu a primeira patente da vacina.

Janssen Pharmaceutical Companies: a vacina, em parceria com a gigante Johnson & Johnson conseguiu induzir imunidade robusta em testes pré-clínicos. A tecnologia usada para a produção dela é a mesma utilizada no desenvolvimento da vacina do Ebola, que inclui o uso do vírus inativado da gripe comum, incapaz de ser replicado.

Novavax: a companhia (também americana) nunca produziu uma vacina em suas três décadas de existência, e usa as proteínas do próprio vírus para induzir uma resposta imune.

Quais são as fases de uma vacina?

Para uma vacina ou medicação ser aprovada e distribuída, ela precisa passar por três fases de testes. A fase 1 é a inicial, quando as empresas tentam comprovar a segurança de seus medicamentos em seres humanos; a segunda é a fase que tenta estabelecer que a vacina ou o remédio produz, sim, imunidade contra um vírus, já a fase 3 é a última fase do estudo e tenta demonstrar a eficácia da droga.

Uma vacina é finalmente disponibilizada para a população quando essa fase é finalizada e a proteção recebe um registro sanitário. Por fim, na fase 4, a vacina ou o remédio é disponibilizado para a população.

Com isso, as medidas de proteção, como o uso de máscaras, e o distanciamento social ainda precisam ser mantidas. A verdadeira comemoração sobre a criação de uma vacina deve ficar para o futuro, quando soubermos que a imunidade protetora realmente é desenvolvida após a aplicação de uma vacina. Até o momento, nenhuma situação do tipo aconteceu.

 

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