Não basta se exercitar: o importante é variar os exercícios, diz estudo de Harvard. (Alessandro Shinoda/Folhapress/Exame)
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Publicado em 12 de fevereiro de 2026 às 09h11.
Que praticar exercícios é um dos pilares para envelhecer com saúde já não é mais novidade. Há décadas a ciência apresenta provas cada vez mais robustas de que ser ativo reduz o risco de doenças crônicas e mortalidade. No entanto,"só" se exercitar pode não ser suficiente para quem quer viver mais, segundo um estudo da Universidade Harvard.
Segundo o levantamento, o segredo da longevidade está em diversificar os tipos de exercícios praticados. A pesquisa indica que pessoas que combinam diferentes modalidades têm até 19% menos risco de mortalidade prematura, benefício que se mantém independentemente do tempo dedicado à atividade física.
O estudo acompanhou mais de 111 mil profissionais de saúde ao longo de 30 anos. Todos os participantes não apresentavam histórico de diabetes, doenças cardiovasculares, câncer ou condições respiratórias e neurológicas no início do acompanhamento.
A cada dois anos, os entrevistados respondiam a questionários sobre a frequência e o tipo de atividade física praticada. Nesse período, os pesquisadores monitoraram todas as práticas possíveis — desde as mais intensas até as mais tranquilas, como jardinagem.
Os resultados mostram que não é apenas a quantidade de exercício que importa, mas também a variedade. Alternar entre diferentes tipos de atividades esteve diretamente associado a mais saúde e mais anos de vida.
"Ao decidir como se exercitar, lembre-se de que pode haver benefícios extras para a saúde ao se envolver em vários tipos de atividade física, em vez de depender apenas de uma", afirmou Yang Hu, cientista de pesquisa do departamento de nutrição da Harvard T.H. Chan School of Public Health, em comunicado.
"Combinar atividades que oferecem benefícios complementares para a saúde [como treinamento de resistência e exercícios aeróbicos] pode ser muito útil", acrescentou.
O estudo também avaliou como cada modalidade contribui para o envelhecimento saudável. Em comparação com pessoas sedentárias, a caminhada foi associada a uma redução de 17% no risco de morte. Esportes como tênis ou squash aparecem em seguida, com queda de 15%, enquanto remo ou calistenia reduziram o risco em 14%.
Num contexto de alta variedade de exercícios, a redução da mortalidade variou de 13% a 41%, dependendo da causa. Segundo os pesquisadores, a diversidade de estímulos físicos pode ampliar os benefícios metabólicos e funcionais dos exercícios com o passar dos anos.
A pesquisa também identificou um total de horas semanais ideal para a prática de exercícios: cerca de seis horas em ritmo moderado ou três horas de exercício intenso. A partir desse ponto, os benefícios adicionais tendem a se estabilizar.
Vale dizer, no entanto, que o estudo tem limitações. As informações sobre exercícios foram autodeclaradas, o que pode gerar imprecisões, e a amostra foi composta em sua maioria por profissionais de saúde brancos, o que pode restringir a generalização dos resultados para outras populações.