Ciência

Quem são as mulheres 'apagadas' da história da física quântica?

Histórias revelam como gênero e acesso moldaram a ciência moderna

Chien-Shiung Wu: como mulheres ajudaram a moldar a física quântica moderna (Divulgação/Getty Images)

Chien-Shiung Wu: como mulheres ajudaram a moldar a física quântica moderna (Divulgação/Getty Images)

Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 07h28.

Mulheres tiveram papel central na formação da mecânica quântica, mas suas contribuições ficaram à margem da narrativa científica por décadas. Um livro lançado em 2025 revisita essa história e reúne evidências do protagonismo feminino em um campo tradicionalmente associado a homens.

De acordo com a revista científica Nature, durante o século XX, a física quântica passou a ser descrita como uma “ciência de meninos”. Essa percepção ganhou força nos anos 1920, com a projeção pública de jovens físicos europeus, enquanto contribuições femininas permaneceram invisibilizadas.

Mulheres que fizeram história na física quântica

Entre os casos documentados na obra "Mulheres na História da Física Quântica" está o da astrônoma Williamina Fleming. Contratada como “computadora” no Observatório do Harvard College, ela realizou cálculos complexos e classificações espectrais fundamentais para o estudo das estrelas.

Mesmo submetida a funções repetitivas e sem autonomia acadêmica, Fleming identificou linhas espectrais de hélio em estrelas quentes. A descoberta foi essencial para o avanço do modelo atômico, mas ficou conhecida como “Série de Pickering”, sem referência ao seu nome.

Outra trajetória destacada é a da física experimental Chien-Shiung Wu. Em 1950, ela publicou evidências experimentais de emaranhamento entre fótons, antes de estudos que décadas depois seriam associados ao Prêmio Nobel.

Nos anos 1970, Wu conduziu experimentos aprimorados sobre fundamentos da mecânica quântica. Apesar disso, seu trabalho recebeu menos destaque histórico do que pesquisas posteriores conduzidas por cientistas homens.

Gênero, raça e acesso desigual à ciência

O livro também aborda como desigualdades estruturais afetaram mulheres negras na ciência. A física Carolyn Parker foi a primeira mulher afro-americana a obter pós-graduação em física nos Estados Unidos, em 1941.

Parker atuou em pesquisas sobre forças nucleares e contribuiu para estudos ligados à defesa aérea americana. Mesmo assim, enfrentou instabilidade profissional, limitações institucionais e barreiras raciais que impediram a conclusão de seu doutorado.

Para reconstruir sua trajetória, pesquisadores recorreram a registros não convencionais, como censos, jornais comunitários e relatos orais. O método revelou lacunas deixadas por arquivos científicos tradicionais, centrados em trajetórias brancas e masculinas.

A coletânea reconhece que a maioria das cientistas retratadas ainda pertence a contextos europeus ou norte-americanos. Segundo a obra, a escassez de registros dificultou a inclusão de mulheres não brancas e de outras regiões do mundo.

Ao revisitar essas histórias, o livro amplia a compreensão sobre como a física quântica foi construída. A obra propõe uma narrativa mais completa sobre o desenvolvimento científico, ao integrar gênero, contexto social e produção do conhecimento.

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