Ibogaína: substância é estudada como possível tratamento para dependência de álcool (Reprodução/Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Pau)
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Publicado em 5 de maio de 2026 às 20h47.
Um estudo piloto conduzido na Universidade de São Paulo (USP) aponta que a ibogaína — substância psicoativa extraída de uma planta africana — pode ajudar no tratamento do transtorno por uso de álcool (TUA). Apesar dos resultados considerados promissores, os pesquisadores destacam que a terapia ainda é experimental e envolve riscos relevantes à saúde.
A pesquisa foi realizada no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (HCFMRP) e acompanhou nove voluntários diagnosticados com a condição. Os participantes receberam doses controladas da substância em ambiente hospitalar, com monitoramento contínuo.
Os resultados indicaram redução leve a moderada no consumo de álcool, com efeitos mais evidentes em doses mais altas, além de casos de abstinência ao longo do acompanhamento. Também foram registrados efeitos colaterais, incluindo alterações cardiovasculares.
Os dados mostraram diminuição no consumo ao longo de três meses. Em dois casos, os voluntários permaneceram em abstinência durante todo o período. Segundo a pesquisadora responsável, Juliana Mendes Rocha, o objetivo foi avaliar segurança, tolerabilidade e eficácia da substância em um contexto ainda pouco explorado.
Embora já existam estudos sobre o uso da ibogaína em outras dependências químicas, seu efeito no TUA ainda não havia sido testado diretamente.
A ibogaína é um alcaloide com propriedades alucinógenas que atua em diferentes sistemas químicos do cérebro. Seus efeitos incluem alterações na percepção, no tempo e nas emoções, podendo durar até 72 horas.
Devido a esses efeitos e aos riscos associados, o tratamento foi realizado sob rigoroso controle médico. Os participantes passaram por avaliação clínica e psiquiátrica e permaneceram internados para monitoramento de sinais vitais, exames cardíacos e respostas psicológicas.
Apesar dos resultados iniciais, o estudo identificou efeitos colaterais, como alterações cardiovasculares, além de sintomas como ansiedade e náusea.
A ibogaína não é autorizada para uso terapêutico no Brasil fora de pesquisas clínicas. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para a oferta irregular da substância e reforça que ainda não há evidências suficientes para recomendação médica.
O pesquisadores reforçam que o estudo é preliminar e envolve um número reduzido de participantes, o que impede conclusões definitivas. Pesquisas futuras devem incluir amostras maiores e maior rigor metodológico.
O transtorno por uso de álcool segue como um problema relevante de saúde pública, associado a cerca de 3% das mortes globais, de acordo com a USP. Nesse cenário, novas abordagens terapêuticas são investigadas, mas dependem de validação científica e comprovação de segurança.