Ciência

Planeta a 35 anos-luz revela cenário extremo e inédito

Pesquisadores sugerem que composição incomum pode representar uma nova classe de exoplanetas

L 98-59 d: Descoberta revela planeta dominado por magma e atmosfera rica em enxofre (Benoit Gougeon, Université de Montréal/Reprodução)

L 98-59 d: Descoberta revela planeta dominado por magma e atmosfera rica em enxofre (Benoit Gougeon, Université de Montréal/Reprodução)

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 26 de março de 2026 às 12h14.

Cientistas identificaram um possível novo tipo de planeta que pode mudar a forma como entendemos os mundos fora do Sistema Solar.

A descoberta envolve um exoplaneta com características extremas, marcado pela presença de um vasto oceano de magma e grandes quantidades de enxofre em sua composição.

Planeta de lava

Localizado a cerca de 35 anos-luz da Terra, o planeta L 98-59 d tem aproximadamente 1,6 vez o tamanho do nosso e orbita uma estrela anã vermelha. De acordo com dados do Telescópio Espacial James Webb (JWST), seu interior pode ser dominado por rocha derretida, formando um oceano de magma que se estende por milhares de quilômetros abaixo da superfície.

Esse ambiente extremamente quente permite que o planeta funcione como um reservatório de enxofre ao longo de bilhões de anos. A interação entre o calor interno e a radiação da estrela pode gerar uma atmosfera rica em compostos químicos, como dióxido de enxofre, criando um cenário completamente diferente do observado na Terra.

Nova classe de planetas

Os cientistas apontam que essa combinação rara entre estrutura interna e atmosfera pode indicar uma nova classe de planetas. Diferente de mundos rochosos tradicionais ou gigantes gasosos, esse tipo de exoplaneta apresenta uma dinâmica própria, marcada por processos químicos intensos e contínuos.

“Essa descoberta sugere que as categorias que usamos atualmente para descrever planetas pequenos podem ser muito simples", revelou o autor principal do estudo, Harrison Nicholls, da Universidade de Oxford, da Inglaterra.

Apesar de não oferecer condições para a vida como conhecemos, o planeta chama atenção por funcionar como uma espécie de laboratório natural. Ele pode ajudar a entender como planetas se formam e evoluem, especialmente em estágios iniciais, quando a superfície ainda é dominada por magma.

A descoberta também levanta comparações com o passado da própria Terra, que já teve períodos em que sua superfície era coberta por rocha derretida

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