Pílula emagrecedora: conheça novo medicamento que pode ser 'rival' de Ozempic e Mounjaro (Marcos Santos/USP Imagens/USP Imagens)
Estagiária de jornalismo
Publicado em 2 de janeiro de 2026 às 13h41.
Última atualização em 2 de janeiro de 2026 às 18h00.
Uma nova pílula experimental promete revolucionar o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.
O composto ATR-258, desenvolvido por pesquisadores do Instituto Karolinska e da Universidade de Estocolmo, na Suécia, consegue estimular a queima de gordura mesmo com o corpo em repouso e sem os efeitos colaterais cardíacos que limitam medicamentos similares.
Os resultados do primeiro teste em humanos foram publicados na revista científica Cell. O estudo envolveu 73 participantes e mostrou que, em um primeiro momento, a droga é segura e bem tolerada pelo corpo.
Diferente de medicamentos como Ozempic e Mounjaro, que reduzem o apetite agindo no sistema digestivo, o ATR-258 atua diretamente nos músculos.
O composto ativa uma via metabólica específica que faz as células musculares consumirem mais glicose e gordura, como se estivessem se exercitando.
Essa é uma diferença crucial em relação aos tratamentos atuais. Enquanto os chamados agonistas GLP-1 (como Ozempic) causam perda de peso indiscriminada, incluindo massa muscular, o ATR-258 preserva os músculos enquanto reduz gordura.
Medicamentos que estimulam receptores beta-2 adrenérgicos já são conhecidos pela capacidade de acelerar o metabolismo. O problema é que eles também aceleram demais o coração, causando taquicardia, arritmias e até lesões cardíacas.
Segundo o estudo, o ATR-258 contorna essa limitação por meio de um mecanismo chamado "antagonismo enviesado". Em vez de ativar todas as vias celulares do receptor, ele ativa seletivamente apenas a GRK2, responsável pelos efeitos benéficos no músculo, enquanto evita a via Gs, que causa os problemas cardíacos.
Em camundongos obesos, o composto melhorou a tolerância à glicose, reduziu gordura corporal e preservou massa muscular, sem causar aumento no peso do coração nem lesões miocárdicas, efeitos comuns com medicamentos similares.
O ensaio clínico com humanos de fase 1 incluiu 48 voluntários saudáveis e 25 pessoas com diabetes tipo 2. Todos receberam doses diárias de até 2,5 mg por até 28 dias. O medicamento foi bem tolerado, com apenas efeitos adversos leves e transitórios.
A pesquisa afirmou que houve um pequeno aumento na frequência cardíaca nos primeiros dias de tratamento, um reflexo esperado da vasodilatação, mas o efeito desapareceu com o tempo. Ao final do estudo, não havia diferenças significativas de frequência cardíaca ou pressão arterial entre os grupos que receberam o medicamento e o placebo.
A farmacêutica Atrogi AB, que desenvolve o composto em parceria com a Universidade, planeja iniciar estudos de fase 2 em 2026. Esses testes vão avaliar se os benefícios metabólicos observados em animais, como perda de gordura, ganho de força muscular e melhor controle glicêmico, se confirmam em humanos.
Se aprovado, o ATR-258 pode ter aplicações além da obesidade e diabetes. Os pesquisadores acreditam que o medicamento pode ajudar no tratamento de sarcopenia (perda muscular relacionada à idade) e distrofias musculares.
Por ser uma pílula de dose única diária, o composto também pode ser mais conveniente que as injeções semanais dos GLP-1, as chamadas "canetas emagrecedores", potencialmente aumentando a adesão ao tratamento.