Ciência

Pesquisadores chineses testam adesivo atrás da orelha para controlar celular com o cérebro

Tecnologia funciona por meio de EEG (eletroencefalograma) para permitir o controle direto de computadores e dispositivos móveis

 (Bret Kavanaugh via Unsplash/Site Exame)

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China2Brazil
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Agência

Publicado em 12 de janeiro de 2026 às 16h50.

Uma equipe do Instituto de Tecnologia de Pequim e da Universidade de Aeronáutica e Astronáutica de Pequim desenvolveu um adesivo que lê sinais elétricos do cérebro por meio de EEG (eletroencefalograma) para permitir o controle direto de computadores e dispositivos móveis.

A proposta faz parte das chamadas interfaces cérebro-computador, sistemas que traduzem a atividade cerebral em comandos digitais sem o uso das mãos. Os pesquisadores publicaram o estudo na revista Science Bulletin em 2 de janeiro de 2026.

Segundo os autores, interfaces cérebro-computador permitem o controle direto de sistemas digitais por meio de sinais neurais captados por EEG não invasivo ou por chips implantáveis. Hoje, toucas e tiras com géis adesivos exigem fixação no couro cabeludo, o que dificulta o uso cotidiano. Já chips implantáveis, como os desenvolvidos pela Neuralink, são invasivos e adequados apenas para pacientes com paralisia severa.

O estudo propõe um adesivo de interface auricular multicanal (ECI) posicionado atrás da orelha. O dispositivo usa eletrodos MXene acoplados a um filme médico fino e respirável. O adesivo registra sinais cerebrais por até 10 horas de uso contínuo e apresenta respirabilidade de 373,0 cm³/(m²·dia), superior à de eletrodos auriculares comerciais. Além disso, não irrita a pele e apresenta taxa antibacteriana de 51%, o que atende a requisitos básicos de segurança para uso prolongado.

Os pesquisadores avaliaram o adesivo em um experimento de indução de fadiga e obtiveram média de acurácia de 90,5% na classificação dos sinais. Em seguida, participantes realizaram testes offline e online de potenciais evocados visuais em estado estacionário com quatro alvos. A acurácia média da tarefa online chegou a 93,5%, um resultado próximo ao de toucas comerciais usadas para leitura de sinais cerebrais.

O trabalho indica um caminho para interfaces cérebro-computador mais discretas e adequadas ao uso diário, com potencial de ampliar aplicações fora do ambiente médico.

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