Ciência

Paciente com paralisia controla cadeira de rodas e cão-robô na China

Com paralisia dos quatro membros, paciente conseguiu se locomover e comandar um cão-robô para buscar comida por delivery usando apenas sinais cerebrais

Cão-robô: tecnologia foi desenvolvida pela Academia Chinesa de Ciências e do Hospital Huashan, da Universidade Fudan (Ethan Miller/Getty Images)

Cão-robô: tecnologia foi desenvolvida pela Academia Chinesa de Ciências e do Hospital Huashan, da Universidade Fudan (Ethan Miller/Getty Images)

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Agência

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 14h54.

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Um paciente com paralisia dos quatro membros conseguiu se locomover em uma cadeira de rodas elétrica e comandar um cão-robô para buscar comida por delivery usando apenas sinais cerebrais. O resultado faz parte de testes clínicos de interfaces cérebro–máquina realizados na China e divulgados em dezembro de 2025 por pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências e do Hospital Huashan, da Universidade Fudan.

O experimento integra o segundo ensaio clínico prospectivo conduzido pelo Centro de Excelência em Ciência do Cérebro e Tecnologia Inteligente. Segundo o pesquisador Zhao Zhengtuo, no terceiro teste o paciente passou a controlar um braço robótico para beber água e se alimentar. Em junho de 2025, a equipe havia divulgado o primeiro ensaio clínico prospectivo, no qual um paciente que perdeu os quatro membros após um acidente conseguiu mover o cursor de um computador por meio da interface cérebro–máquina.

As interfaces cérebro–máquina permitem a comunicação direta entre o cérebro humano e dispositivos eletrônicos. Na China, a tecnologia integra o grupo das seis indústrias do futuro definidas no 15º Plano Quinquenal e tem como foco inicial aplicações médicas, especialmente para pacientes com paralisia e lesões neurológicas.

Os sistemas implantáveis se dividem em invasivos e semi-invasivos. Os invasivos entram em contato direto com o córtex cerebral e possibilitam funções mais complexas, como substituição de movimentos e modulação neural precisa. Os semi-invasivos ficam posicionados fora da dura-máter e avançam mais rapidamente em testes clínicos.

Em dezembro de 2025, durante a Conferência de Interfaces Cérebro–Máquina, em Xangai, uma equipe apresentou os resultados de um ensaio clínico multicêntrico com sistemas semi-invasivos. O estudo envolveu 32 pacientes com lesões na medula cervical, submetidos a cirurgias em mais de dez hospitais. Os participantes conseguiram controlar luvas pneumáticas e realizar movimentos de preensão fina usando sinais cerebrais.

Na China, as interfaces cérebro–máquina invasivas são classificadas como dispositivos médicos de classe III, o que exige ensaios clínicos rigorosos antes da aprovação comercial. Atualmente, a tecnologia avança da pesquisa experimental para a aplicação clínica, mas ainda não há produtos autorizados para o mercado.

Pesquisadores apontam dois desafios centrais para a maturidade da tecnologia: segurança e eficácia. O foco está na redução dos danos cirúrgicos, na miniaturização dos implantes e no aprimoramento da coleta, da transmissão sem fio e da decodificação dos sinais neurais. Hoje, o processamento dos sinais e a geração de comandos ocorrem em pouco mais de dez milissegundos.

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